Partidos sem plano B para campanha eleitoral em cenário de epidemia 
10.07.2009 - 08:09 Por Leonete Botelho, Sofia Rodrigues
Serão as máscaras de protecção um gadget das campanhas eleitorais? Será desta que teremos uma campanha eleitoral sem os tradicionais beijinhos? Pode a gripe A matar os comícios? Para já, nos partidos ninguém ainda pensou muito no assunto. Afastam-se os piores cenários, ninguém quer ser alarmista e as campanhas estão a ser desenhadas como habitualmente. Sem plano B para cenários de epidemia, apesar de os especialistas esperarem um surto desta variante da doença no Outono.
As perguntas sobre o cenário de campanha em plena epidemia surpreenderam os partidos. João Tiago Silveira, porta-voz do PS, limitou-se a repetir o que a ministra da Saúde tem dito: "Não há razões para alarmismos". E garantiu apenas que o partido cumprirá "todas as recomendações que forem dadas pelas autoridades de saúde".
Também sem querer imaginar cenários catastrofistas, o secretário-
-geral do PSD, Luís Marques Guedes, não tem dúvidas em afirmar que, no caso de haver um surto em Setembro, a campanha social-democrata "fica seriamente prejudicada". É que a estratégia é semelhante à desenhada nas Europeias. "É uma campanha de proximidade que, como se sabe, é a maneira de estar da liderança e desta direcção do PSD", sublinha Marques Guedes.
Num cenário mais negro da propagação do vírus na população, a única saída seria "o recurso à mediação da comunicação social". À parte das campanhas, Marques Guedes diz estar mais preocupado com a população em geral e com as medidas que estarão a ser tomadas para conter a epidemia. Tal como João Semedo, deputado do BE e médico de profissão, que se mostra mais optimista em relação à evolução da doença do que quanto aos planos de contingência para lhe responder: "Creio que o Governo está atrasado na consideração das múltiplas repercussões da epidemia".
Certo é que também o BE não previu ainda alterações do modelo de campanha para cenários menos optimistas. Semedo fala em vários factores de imprevisibilidade: a forma de expansão da epidemia, as consequências dos fluxos turísticos durante as férias e as condições climatéricas. Mas claro que "se a epidemia estiver instalada no máximo potencial de contágio, tem de ser repensado".
Pelo CDS, os democrata-cristãos também não querem dar um sinal de alarme e tomar já iniciativas que restrinjam o contacto com os eleitores. "Vamos ser pró-activos, mas não vamos alimentar histerias", diz João Rebelo, director de campanha. Mas o CDS afirma estar disponível "para poder vir a alterar estratégias se assim for recomendado". João Rebelo lembra que também o CDS, tal como o PSD, já trocou os comícios por jantares na última campanha para as europeias. Mesmo assim, o líder Paulo Portas não dispensa as feiras para cativar votos.
Apesar de elogiar a ministra da Saúde por prestar regularmente informação sobre a propagação do vírus, Paulo Portas propôs ontem que a Comissão Parlamentar de Saúde acompanhe de forma permanente a evolução da Gripe A nos próximos meses.
No Parlamento, as piadas já circulam nos corredores, onde há quem já veja as máscaras de protecção como potencial material de propaganda. Os socialistas, por exemplo, podem adaptar a frase dos outdoors da última campanha e escrever: "O PS combate a gripe, os outros combatem o PS".

