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Religiões

Parlamento paquistanês pede ao Papa que retire as suas declarações sobre o Islão

15.09.2006 - 09:08 Por AFP, PUBLICO.PT

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O Parlamento paquistanês adoptou hoje uma resolução que prevê a apresentação de um pedido formal ao Papa Bento XVI para que retire as suas declarações proferidas terça-feira, na Alemanha, em que estabeleceu uma ligação entre o Islão e a violência. O ministério paquistanês dos Negócios Estrangeiros chegou mesmo a denunciar a "ignorância" do Sumo Pontífice no que toca à religão muçulmana.
O Papa explorou, num discurso proferido na terça-feira, as diferenças históricas e filosóficas entre o Islão e o Cristianismo e a relação entre violência e fé O Papa explorou, num discurso proferido na terça-feira, as diferenças históricas e filosóficas entre o Islão e o Cristianismo e a relação entre violência e fé (Ettore Ferrari/EPA (arquivo))

"Os comentários pejorativos do Papa sobre a filosofia da jihad (guerra em nome de Deus) e sobre o profeta Maomé feriram os sentimentos do mundo muçulmano e representam o perigo de espalhar a animosidade entre as religiões", pode ler-se na resolução adoptada por unanimidade pela assembleia nacional paquistanesa.

"Esta assembleia pede ao Papa que retire as suas declarações, no interesse da harmonia entre religiões", acrescenta o texto.

Por seu lado, o ministério dos Negócios Estrangeiros qualificou as declarações do Papa de "lamentáveis", denunciando a "ignorância" do Sumo Pontífice acerca do Islão. "Todo aquele que afirma a existência de qualquer coisa de mal ou de desumano no Islão mostra a sua própria ignorância acerca dessa grande religião", afirmou a porta-voz do ministério, Tasnim Aslam. Semelhantes comentários são "lamentáveis" e "não fazem mais de aumentar o fosso entre religiões que nós nos esforçamos por combater", afirmou, acrescentando que eles "mostram igualmente uma ignorância da História". "Não são certamente os muçulmanos que perseguiram os fiéis de outras religiões (...). O Islão é a religião mais tolerante".

Na Catedral de Freising, na Alemanha, o Papa Bento XVI fez ontem algo que não é habitual: pôs de parte o texto que tinha previamente preparado. Falou da sua própria fragilidade e pediu ajuda aos padres e bispos que o estavam a ouvir. Foi um dos momentos importantes do último de seis dias de viagem à Baviera, marcado também por duras críticas de líderes religiosos muçulmanos a um discurso proferido na terça-feira.

Numa intervenção na Universidade de Regensburg, onde no passado leccionou, o Papa explorou as diferenças históricas e filosóficas entre o Islão e o Cristianismo e a relação entre violência e fé. A certa altura, citou um imperador bizantino do século XIV (Manuel II Paleólogo), segundo o qual Maomé trouxe ao mundo coisas "más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue". O Papa sublinhou, por duas vezes, que a expressão era uma citação. Mas as reacções não se fizeram esperar. Ali Bardakoglu, director do departamento dos assuntos religiosos na Turquia, foi um dos primeiros líderes muçulmanos que disseram sentir-se ofendidos com o discurso de Bento XVI. Considerou os comentários "infelizes" e "preocupantes".

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Fundamentalismos

O discurso do senhor Ratzinger apenas revelou o que ele verdadeiramente é, para quem ainda tinha ...

Harpad

18.09.2006 01:07

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