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Mais de metade dos 20 milhões de desempregados europeus são mulheres

Parlamento Europeu chumba relatório de Ilda Figueiredo sobre situação social europeia

08.03.2005 - 17:42 Por Lusa

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O documento foi maioritariamente rejeitado pelos partidos de direita O documento foi maioritariamente rejeitado pelos partidos de direita (Nuno Veiga/Lusa)
O Parlamento Europeu (PE) chumbou hoje o relatório da eurodeputada comunista Ilda Figueiredo que denunciava um quadro negro da situação social na Europa, onde mais de metade dos 20 milhões de desempregados são mulheres.

O documento - que recebeu 288 votos contra, 262 a favor e 73 abstenções - foi maioritariamente rejeitado pelos partidos de direita do hemiciclo de Estrasburgo, a quem, segundo a eurodeputada portuguesa, "incomoda o debate dos problemas sociais e não admite que se denunciem as causas".

O diagnóstico traçado pelo relatório apontava para uma situação social europeia com 70 milhões de pessoas em risco de pobreza, em especial mulheres, que protagonizam a maioria do trabalho precário e os salários mais baixos da União Europeia, registando-se uma diferença média de 16 por cento em relação aos homens.

Segundo o mesmo documento, das 192,8 milhões de pessoas empregadas na Europa em 2003, 43,6 por cento eram mulheres, das quais apenas uma em cada três trabalhava a tempo inteiro e em empregos permanentes, ao mesmo tempo que a taxa de emprego das mulheres era de 55 por cento, enquanto a taxa de emprego masculino atingia os 71 por cento, o que revela, afirma, "profundas desigualdades no mercado de trabalho".

Ilda Figueiredo sugere medidas "eficazes"

Além do diagnóstico, Ilda Figueiredo sugeria medidas "eficazes", como a criação do "rendimento mínimo vital" e a revogação do Pacto de Estabilidade e Crescimento e a substituição por um Pacto de Desenvolvimento e Emprego, com prioridade para o crescimento de empregos com direitos, uma segurança social pública e universal e a redução do horário de trabalho sem perda de salários.

Ilda Figueiredo sugeria ainda uma revisão da Estratégia de Lisboa, sugerindo ao mesmo tempo medidas que condicionassem as fusões de empresas e a deslocalização de multinacionais, apoiassem as pequenas e médias empresas e conciliassem o trabalho com a vida familiar.

O Partido Popular Europeu, a maior família política do PE, ainda introduziu alterações ao documento - o que levou a própria relatora a abster-se na votação -, mas acabou por chumbar a versão final. A eurodeputada portuguesa acredita, contudo, que "foi passada" a mensagem de que é necessário mudar a situação.

Entre as vozes críticas, ouviu-se a do eurodeputado social-democrata Silva Peneda, para quem o documento era "desequilibrado", deixando de fora, no seu entender, as questões positivas da política social da União Europeia, como os progressos registados na última década. E distorcendo assim a realidade de uma "forma ostensiva", afirmou. Celebra-se hoje o Dia Internacional da Mulher.

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