Parlamento debate proposta que alarga possibilidade de pedir adiantamento de indemnizações por crime violento

09.07.2009 - 07:47 Por Lusa
Mais vítimas de crimes violentos vão poder pedir ao Estado adiantamentos de indemnizações por danos sofridos, de acordo com uma proposta de lei do Governo que o Parlamento discute hoje. Adiantamentos por danos morais e prejuízos por crimes de negligência passam a ser justificativos de um pedido de adiantamento, tal como os casos que resultem em morte ou lesões graves físicas ou mentais.
Além de dinheiro, as indemnizações pelo Estado podem ser dadas na forma de "medidas de apoio social e educativo" ou terapias de recuperação física, psicológica ou profissional das vítimas. Nos casos de violência doméstica, a proposta de lei do Governo prevê que as vítimas possam receber um adiantamento da indemnização, quando estiverem em "situação de grave carência económica" em consequência do crime.
Caso venham a receber reparação pelos danos sofridos, decorrente de uma decisão judicial, o dinheiro do adiantamento deve ser devolvido ao Estado.
A proposta cria a Comissão de Protecção às Vítimas de Crimes, que pode ser financiada por mecenas e terá o poder de decidir, sem intervenção do Ministério da Justiça, quais os casos aos quais deve ser atribuído o adiantamento das indemnizações, tendo o poder de verificar a "real situação económica dos requerentes".
Esta comissão funcionará permanentemente e os pedidos podem ser feitos electronicamente.
Quando um pedido for aceite, tal é comunicado aos Serviços Prisionais, para garantir que parte do rendimento ganho pelo agressor na prisão seja destinado a indemnizar a vítima.
João Oliveira, do PCP, disse à Agência Lusa que o seu partido concorda com os princípios gerais da lei, por agrupar legislação dispersa, mas alertou para a necessidade de corrigir algumas ambiguidades, nomeadamente nas condições de acesso às indemnizações, que são diferentes em outra legislação que continua a existir.
O deputado comunista destacou a necessidade de regulamentação dos pressupostos da lei, para que não fique só no papel.
Nuno Magalhães, do CDS-PP, referiu que a proposta é "um passo em frente
para reforçar o estatuto da vítima" e "agilizar os procedimentos burocráticos" para se chegar às indemnizações.
No entanto, apontou, "não há dotação orçamental" para a Comissão ter capacidade para "fazer face ao aumento do número de vítimas de crime violento", frisando que não pode existir "um abismo" entre o que é anunciado e o que de facto entra em vigor e que esta não pode ser "mais uma lei eleitoralista".
Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, disse que "a lei é positiva, porque vem colmatar legislação que não era suficiente" e frisou que o Estado tem que ter "um papel determinante" no apoio às vítimas de crimes violentos.
A deputada referiu que, no caso das vítimas de violência doméstica, há que garantir que "os bancos não retêm o que é devido às vítimas por existência de dívidas do agressor", uma realidade que afirmou ser recorrente, considerando positiva a criação de um "fundo de maneio automático".

