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Carros sem seguro

Para evitar males maiores, polícias refugiam-se nos seguros de carta

22.01.2010 - 07:47 Por José Bento Amaro

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Os agentes da PSP e os militares da GNR são, entre os condutores portugueses, dos que mais recorrem aos chamados seguros de carta. É uma fórmula dispendiosa, que ultrapassa os 500 euros anuais, mas tida como a mais segura para evitar gastos elevados quando, ao serem responsáveis por qualquer acidente em serviço, são obrigados a pagar as reparações e as indemnizações. Quem tem estes seguros não recebe qualquer auxílio financeiro por parte dos comandos policiais.

Os seguros de carta abrangem todos os veículos conduzidos pelo titular com excepção da viatura própria (ao contrário das do Estado, essa está obrigatoriamente segurada) e são cada vez mais difíceis de obter. É que as seguradoras estão mais renitentes e quase só já acedem a fazê-los para condutores profissionais.

"O problema da ausência de seguro nos carros das forças policiais é antigo e uma das maiores injustiças que se fazem para quem é obrigado a conduzi-los", diz Armando Ferreira, presidente do Sindicato Nacional de Polícia (Sinapol). "O Estado diz "façam o que eu digo, não façam o que eu faço" e, ao não proteger os seus agentes, obrigando-os a pagar os danos dos acidentes ou punindo disciplinarmente quem se recusa a conduzir, está a contribuir para a desmotivação das forças policiais, cada vez mais acossadas e com mais dificuldades em cumprir as suas missões", diz.

"Injusto e absurdo"

Para José Manageiro, presidente da Associação dos Profissionais da Guarda da GNR, a actual situação é um "erro grave, injusto e absurdo, porque prejudica os militares da GNR e o próprio Estado". "Os agentes policiais acabam por se sentir inibidos e, sabendo que numa perseguição, numa situação de stress, correm o risco de ter um acidente e virem a sofrer penalizações, acabam por nem sequer se dedicar ao máximo."

Também António Ramos, presidente do Sindicato dos Profissionais da Polícia, entende que é tempo de o Estado segurar as suas viaturas. "O Estado deve dar o exemplo. Não pode exigir respeito quando é o primeiro a desrespeitar. No caso dos polícias, é cruel o que se passa", afirma. É que, em muitas esquadras, quando há um acidente da responsabilidade do condutor, são os próprios colegas que fazem peditórios para desse modo evitarem encargos quase impossíveis de suportar por um só colega e o consequente procedimento disciplinar.

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Justo

Se há questões justas, que a sociedade respeita e apoia, esta é uma delas. Os ...

Hugo

22.01.2010 11:21

X

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