O Papa Bento XVI declarou hoje, nas cerimónias do Domingo de Ramos, na Praça de São Pedro, que a sua fé lhe dará a coragem para não se intimidar pelas críticas que lhe estão a ser feitas a propósito dos abusos sexuais cometidos por padres.
O Sumo Pontífice afirmou que a fé em Deus ajuda uma pessoa a não se deixar intimidar pelos “murmúrios da opinião dominante”, uma aparente referência a todo o noticiário sobre a forma como a Igreja Católica teria tentado silenciar os escândalos de pedofilia ao longo das últimas décadas.
Sem nunca se referir directamente ao assunto, durante o cerimonial com que principia a Semana Santa, o Papa falou da forma como o homem por vezes “cai nos níveis mais baixos e vulgares, afundando-se no pântano do pecado e da desonestidade”.
Uma das horações lidas durante a missa de hoje pedia a Deus que ajudasse “os jovens e os que trabalham para os educar e proteger”. A Rádio Vaticano explicou que essas palavras traduziam “os sentimentos da Igreja nesta altura difícil em que se confronta com a praga da pedofilia”.
A Santa Sé tem vindo a falar de uma “tentativa ignóbil” de tentar associar Bento XVI e os seus principais colaboradores à política de sigilo seguida desde há muito pela Igreja Católica quanto aos delitos cometidos por sacerdotes.
Segundo o jornal britânico “The Independent”, alguns prelados têm vindo a advogar um sínodo extraordinário; ou seja, uma cimeira especial de bispos dedicada a este tema e à melhor forma de se lhe dar resposta.
Papa diz que não se intimida com as notícias sobre o escândalo da pedofilia.


