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Bento XVI chegou à Alemanha e disse compreender quem se opõe à visita

Papa manifesta compreensão por quem deixa a Igreja por causa dos casos de pedofilia

22.09.2011 - 11:00 Por António Marujo

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Esta é a primeira visita oficial de Bento XVI à Alemanha Esta é a primeira visita oficial de Bento XVI à Alemanha (Foto: Thomas Peter/Reuters)
O Papa Bento XVI disse esta manhã, na viagem que o levou à Alemanha, que compreende as pessoas que abandonam a Igreja Católica por causa dos escândalos de pedofilia.

Interrogado sobre os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero, incluindo na sua Alemanha natal, o Papa afirmou, citado pela AFP: “Posso compreender que, perante tais informações, sobretudo quem está próximo de pessoas atingidas, diga: ‘Já não é a minha Igreja, a Igreja era para mim a força da humanização do amor. Se os representantes da Igreja fazem o contrário, não quero estar mais nesta Igreja.”

Nas declarações aos jornalistas a bordo do avião que o levou de Roma a Berlim, Bento XVI convidou os crentes a “suportar estes terríveis escândalos” permanecendo na Igreja Católica, que é mais do que “uma associação desportiva ou cultural”.

Aludindo ao episódio bíblico da pesca milagrosa, o papa acrescentou: “A Igreja é a rede do Senhor, na qual os peixes bons e maus são retirados das águas da morte para a terra da vida.”

No aeroporto Tegel, de Berlim, o Papa foi recebido pela chanceler Angela Merkel e vários ministros, nesta que é a sua primeira viagem oficial ao seu país natal – em 2005 e 2006 o Papa já tinha estado na Alemanha, mas em visitas pastorais.

O carácter oficial da visita também tem levantado críticas – 100 deputados (em 620) anunciaram que iriam boicotar o discurso do Papa, esta tarde, no Bundestag, o Parlamento federal. E uma manifestação contra as posições de Bento XVI e do Vaticano está também prevista em questões morais está também prevista para esta tarde, ao mesmo tempo que o Papa fala no Parlamento.

O Papa também exprimiu compreensão pelas manifestações que o contestam. “É normal numa sociedade livre marcada por uma forte secularização. Tomo nota e não há nada a dizer quando [a contestação] se exprime de modo civilizado. Respeito os que assim se exprimem.”

No avião, o Papa evocou também o encontro, previsto para sexta-feira, em Erfurt, com os líderes das igrejas luteranas. Católicos e protestantes podem “mostrar a sua unidade fundamental mesmo se há ainda grandes problemas”.

O encontro decorrerá amanhã ao meio-dia no mosteiro onde viveu Martinho Lutero, o iniciador da Reforma protestante. “Estar unido é fundamental para o nosso tempo. O homem é feito à imagem de Deus, estamos unidos e devemos dizê-lo”, acrescentou o Papa.

No seu encontro com a chanceler Merkel, que decorreu ao final da manhã, os dois líderes falaram dos mercados financeiros e da crise económica que atinge a Europa. Foi a própria Angela Merkel que afirmou, citada pela AFP: “Falámos dos mercados financeiros, sobre o facto de que a política deve ter a força de agir, mais do que se submeter. É uma tarefa primordial na época da mundialização.”

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, indicou que o Papa saudou a “solidariedade” que a Alemanha tem manifestado na crise europeia.

Antes, o alemão Joseph Ratzinger fora recebido pelo Presidente Christian Wulff na sua residência oficial. “Até que ponto a Igreja deve ser misericordiosa a lidar com os falhanços nas vidas privadas das pessoas?”, perguntou o Presidente, que é católico, divorciado e casado segunda vez. Wulff referiu também as falhas da Igreja “na sua própria história” e na conduta dos seus representantes, numa referência aos casos de pedofilia.

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