Pai da jovem que recusa partilhar Euromilhões com ex-namorado diz que foi a filha que acertou 
20.11.2009 - 17:22 Por Lusa
O pai da jovem que se recusa a partilhar com o ex-namorado um prémio do Euromilhões de 15 milhões de euros disse hoje, no Tribunal de Barcelos, que foi a filha quem acertou no boletim da taluda.
Ouvido como testemunha no julgamento que hoje se iniciou no Tribunal Cível, João Simões explicitou que, embora tendo "jogado" juntos, a chave vencedora foi a da filha, Cristina Simões, no quadro de um acordo entre ambos, segundo o qual cada um receberia o dinheiro que resultasse das respectivas apostas.
A testemunha explicou o facto de o namorado da jovem, Luís, ter ido a Lisboa, à Santa Casa da Misericórdia com Cristina e com os pais desta levantar o dinheiro "apenas porque entenderam convidá-lo e não porque lhe coubesse metade do dinheiro".
Justificou ainda a circunstância de ter sido pedido à Santa Casa a emissão de dois cheques, cada um com metade da quantia a receber, por pretender que parte da verba ficasse numa conta em Lisboa e a outra num banco de Barcelos.
Interrogado sobre o assunto pelo advogado de acusação, Vasco Cardoso, e pelo delegado do Ministério Público, entrou em explicações sobre o facto de terem sido depositados 15 milhões de euros numa conta bancária, em nome de Luís, da namorada e dos pais desta e tal não significar que o Luís tinha direito ao dinheiro.
A acusação quis, ainda, saber por que razão o casal de namorados ainda terá beneficiado dos juros durante o primeiro ano, antes de Luís ter sido impossibilitado de aceder ao dinheiro.
O julgamento prosseguiu ao começo da tarde, com a audição da mãe da jovem, que repetiu a tese de que a taluda saiu à chave da filha, a que se seguirá a audição das testemunhas arroladas pelo queixoso.
O julgamento deve-se ao facto de as duas partes não terem chegado a acordo na audiência preliminar, dado que a ex-namorada não aceitou a proposta de divisão 'a meias' do dinheiro.
Face a esta decisão, o queixoso interpôs uma providência cautelar para bloquear o acesso à conta bancária, situação em que a mesma se encontra até decisão judicial.
O casal de ex-namorados foi premiado em 19 de Janeiro de 2007, através de um boletim preenchido num café em Alvelos, Barcelos.
Na audiência, o advogado do queixoso, Vasco Cardoso, tem defendido a tese de que a associação de namoro entre os dois jovens e a gestão conjunta dos 15 milhões de euros, saídos quando jogaram 'a meias', configuram um caso de sociedade comercial irregular.
Estas sociedades, embora não revistam a forma escrita através de escritura pública, têm validade legal desde que a sua existência seja provada.
O jurista defende que terá sido Luís Ribeiro, que era estudante e tem agora 22 anos, que fez o registo do boletim do Euromilhões, como sempre fazia.
Sublinha, no entanto, que terá sido Cristina Simões a sugerir um «investimento» de mais dois euros, o qual acabou por conduzir à combinação da sorte.

