O padre de Covas do Barroso, de 74 anos, que foi detido este fim-de-semana por suspeita de posse ilegal e tráfico de armas já está no Tribunal de Boticas para ser ouvido em primeiro interrogatório judicial.
O pároco, que chegou ao tribunal pelas 14h00 rodeado de quatro elementos da GNR, entrou calmo e sorridente nas instalações, onde cerca de quatro dezenas de populares se concentraram.
O padre de Covas do Barroso tinha acabado de celebrar a missa das 07h00 de domingo quando, em plena sacristia, foi surpreendido por militares da GNR, que o detiveram por suspeita de posse ilegal de armas de fogo, após uma investigação que decorria há meses.
Logo após a missa, e quando os fiéis estavam a sair da igreja, os militares entraram na sacristia, onde o sacerdote mudava de roupa.
“A detenção foi feita de forma a que se causasse o mínimo de impacto social. Aguardámos que o senhor padre terminasse a missa dominical e a seguir tivemos de proceder à identificação e detenção”, disse o comandante do destacamento de Chaves, capitão Filipe Soares, após a detenção.
Além do padre, foram ainda detidas três outras pessoas, com idades entre os 50 e os 54 anos.
No decorrer das quatro buscas domiciliárias em Covas do Barroso, os militares apreenderam 16 armas ilegais, entre pistolas, revólveres e caçadeiras, milhares de munições, engenhos pirotécnicos e pólvora seca.
Entre os detidos figura o pároco que, segundo o capitão Filipe Soares, não ofereceu resistência. “O sacerdote foi bastante colaborante. Inicialmente alegou que teria apenas uma arma e que estaria legal. Conforme foram surgindo as armas foi dizendo que teriam sido deixadas por herança ou que desconhecia a sua proveniência”, acrescentou.
O sacerdote está também envolvido no processo da Casa do Santo, que está a ser julgado no Tribunal de Boticas. A Casa do Santo serve de suporte à realização da tradicional festa de São Sebastião em Couto de Dornelas e a sua propriedade é reivindicada pela paróquia e pela junta de freguesia.


