O padre católico e sociólogo marxista belga François Houtart, uma das figuras mais importantes do altermundialismo, confessou ter abusado de um menor há 40 anos. Houtart já pedira que fosse suspensa uma campanha a favor da sua candidatura ao Prémio Nobel da Paz 2011.
Numa entrevista ao jornal belga “Le Soir”, a partir do Equador, Houtart admite ser o visado por uma das 475 queixas entregues na Primavera a uma comissão formada pela Igreja da Bélgica para lidar com as denúncias de abusos por parte de sacerdotes.
“O cónego A. introduziu-se duas vezes no quarto do meu irmão para o violar”, diz-se na queixa, que segundo o “Le Soir” foi feita por uma prima do padre Houtart. O irmão da queixosa tinha então oito anos. Houtard admite ter “tocado por duas vezes nas partes íntimas do rapaz, o que o acordou e assustou”, mas não tê-lo de facto violado.
“Foi evidentemente um acto irresponsável”, admite Houtart, garantindo que nunca repetiu algo idêntico.
O padre, hoje com 85 anos, assegura que propôs aos pais do menor renunciar ao sacerdócio e assumir as consequências do que fizera, mas eles pediram-lhe que consultasse um professor do seminário de Liège, no Leste da Bélgica. Este aconselhou-o a continuar na Igreja e a centrar-se nos seus estudos de sociologia das religiões.
Na entrevista ao “Le Soir”, Houtart explicou ainda ter contactado o comité que estava a fazer campanha para o nomear para o Nobel. O comité pôs fim à campanha já em Novembro, explicando que isso fora pedido pelo padre por causa da sua “idade e dos projectos pessoas que não lhe permitiriam assumir o papel requerido por estas circunstâncias”. “Milhares de pessoas” em 74 países tinham participado na recolha de assinaturas, reconhecendo o papel de Houtart no movimento antiglobalização.
Antigo professor na Universidade Católica de Lovaina e perito no Concílio Vaticano II, Houtart foi um dos impulsionadores do Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Fundador da ONG Centro Tricontinental, abandonou agora o posto que ali ocupava.


