Júlio Eduardo Coelho Monteiro, o meio-irmão da mãe de José Sócrates cuja residência e escritórios foram ontem objecto de buscas judiciais no âmbito do caso Freeport, tem há muito grandes interesses no sector imobiliário e chegou a ser administrador da Grão-Pará entre 1987 e 1989. Engenheiro mecânico de formação, Julio Monteiro esteve nas últimas décadas à frente de várias empresas imobiliárias e de construção, parte delas sedeadas em Setúbal, incluindo a ISA, Investimentos Imobiliários, onde a PJ esteve ontem.
Alguns dos negócios de Júlio Monteiro foram desenvolvidos em sociedade com um irmão, Celestino Monteiro, com o qual teve várias empresas, incluindo a imobiliária Etermóvel, actualmente sem actividade. Os dois meios-tios do primeiro-ministro foram accionistas de referência na imobiliária Grão-Pará, mas enquanto Júlio Monteiro vendeu a sua participação em 1989, deixando a administração, o irmão detém ainda hoje cerca de nove por cento das acções da empresa, através das sociedades Invesmon Limited e Medes Holding LLC, esta matriculada nos EUA.
Nos últimos 20 anos os dois irmãos construíram vários empreendimentos em Setúbal. Júlio Monteiro, através da empresa Farol do Oriente, entretanto integrada na ISA, foi o promotor de um grande bloco de habitação no Parque das Nações que tem o nome da empresa.
Já nesta década Júlio Monteiro, que é apontado por quem o conhece como um "homem muito rico", criou a IGU - Investimentos e Gestão Urbanística, que dissolveu em Novembro passado. Actualmente, o empresário partilha o capital da ISA com um filho, mas a actividade da sociedade, com sede na Av. Rodrigues Manito, em Setúbal, apresenta-se como residual, com um volume de vendas de 34.108 euros em 2007. Juntamente com o filho, Júlio Monteiro detém também a Mito Selvagem, uma empresa de comercialização de motas sedeada em Cascais, onde ambos residem.
O empresário afirmou ontem ao semanário Sol que a polícia levou diversa documentação, nomeadamente relativa a off-shores antigas", a que terá estado ligado. A edição electrónica do jornal diz também que os investigadores aludiram a um e-mail que terá sido enviado para o Freeport [supõe-se que por Monteiro] e que teria a ver com o licenciamento do outlet.


