Seis em cada dez jovens (63,4 por cento) dizem que não se sentem próximos de nenhum partido político. E 30 por cento não votaram nas últimas eleições legislativas. Ainda assim, mais de metade (56 por cento) dos eleitores com idades entre os 18 e os 34 anos consideram-se pessoas interessadas em... precisamente em política.
Os dados foram recolhidos num inquérito feito em 2009, depois das eleições, no âmbito do projecto Comportamento eleitoral e atitudes políticas dos portugueses, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
A amostra de 1317 pessoas é representativa da população portuguesa. E mostra como votaram os eleitores mais novos. Mais de metade (50,7 por cento) votaram PS, 13,4 por cento no Bloco de Esquerda e nove por cento no CDS-PP. Estes três partidos receberam neste grupo mais votos do que noutras faixas etárias.
Mas o mais surpreendente é este aparente paradoxo: como se explica que esta população mostre mais interesse em política e seja, ao mesmo tempo, a que mais se abstém? Entre os 35-44 anos a abstenção situou-se nos 24 por cento e entre os eleitores com pelo menos 45 anos nos 15,7 por cento - percentagem mais baixas, portanto. "Há uma desidentificação dos jovens com os partidos políticos que existem. Mesmo tendo em conta que em 2009 apareceram novos movimentos - que, como se vê pelos votos, não suscitaram grande interesse", diz Marina Costa Lobo, investigadora do projecto.
"O interesse pela política está associado a maiores níveis de escolaridade", continua. E os mais jovens são mais escolarizados, o que se reflecte nas suas atitudes. Como também se reflecte o facto de serem menos sindicalizados e menos religiosos. "A sindicalização e a religiosidade sempre funcionaram como agentes de socialização política" no sentido mais tradicional.
O inquérito, cujos resultados não foram ainda publicados, confrontava ainda os eleitores com uma ideia que tem alguns adeptos: "Há quem diga que em quem as pessoas votam não faz qualquer diferença no curso dos acontecimentos." Resultado: 74 por cento dos que pertencem à geração mais jovem estavam convencidos do contrário. Não havendo grandes diferenças entre gerações, a que pertencia aos 18-34 era a que mais acreditava nisso.


