“As organizações criminosas estudam os mercados e agem numa lógica de custo-benefício e uma menor capacidade das instâncias de controlo para reprimir este fenómeno pode dar azo a que se instalem numa determinada área”, disse Francisca Van Dunem, procuradora-geral distrital de Lisboa.
“Portugal não é um mercado fácil” para os criminosos, salientou a responsável pelos departamentos do Ministério Público no distrito judicial de Lisboa, alertando que, num mundo global, é imprescindível as instâncias de controlo estarem preparadas para combater o crime. Francisca Van Dunen falava no seminário sobre criminalidade organizada que hoje decorre em Lisboa e cuja cerimónia de encerramento conta com a presença de Fernando Pinto Monteiro, procurador-geral da República, e Almeida Rodrigues, director nacional da Polícia Judiciária.
Caracterizando a criminalidade, a procuradora-geral adjunta afirmou que a grande percentagem dos crimes em Portugal são de pequena e média gravidade, lembrando que, apesar de o segmento do crime organizado ser pequeno, produz grandes danos à sociedade. “Actualmente em Portugal temos uma criminalidade bipolarizada: 80 por cento é pequena e média, mas temos um segmento pequeno mas que tem grande danosidade social, que é a criminalidade organizada”, afirmou.
Pedro do Carmo, director nacional adjunto da Polícia Judiciária, destacou, por seu turno, a necessidade de, tanto a Polícia como o Ministério Público, conhecerem melhor os fenómenos criminosos. “Prevenir é sempre melhor que combater”, realçou. “Ainda que Portugal não viva nenhum fenómeno preocupante de criminalidade organizada, num mundo globalizado, não podemos estar à margem do problema e, por isso, é necessário apurar instrumentos para melhor prevenir e combater o que episodicamente ocorre em Portugal”, admitiu Pedro do Carmo.


