Ordem dos Médicos recusa acusação de incompetência na prescrição de antibióticos

22.03.2007 - 14:15 Por Lusa
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, recusou hoje qualquer acusação de incompetência dos médicos de família, na sequência de um estudo divulgado pela Deco sobre a prescrição desnecessária de antibióticos.
Colaboradores da associação para a defesa do consumidor visitaram 58 consultórios privados e nove centros de saúde, queixando-se de dores de garganta e um ligeiro incómodo ao engolir, apesar de estarem saudáveis.
Em 37 casos, os profissionais receitaram antibióticos desnecessariamente. Seis desses médicos sublinharam que o medicamento só devia ser aviado se o problema se agravasse. A maioria prescreveu espontaneamente os medicamentos.
Em 90 farmácias, a Teste Saúde, da Deco, registou oito estabelecimentos que venderam os antibióticos sem receita médica.
Bastonário: médicos "não conseguem acompanhar todos os dias os pacientes"
Face a estes números, Pedro Nunes "não aceita que se ponha em causa a qualidade" de médicos que "sabem o que fazem", ressalvando, porém, que as condições de organização obrigam ao exercício de uma "medicina mais defensiva".
"Os médicos recorrem frequentemente a medicamentos de espectro mais largo, para combater o maior número possível de bactérias, porque não conseguem acompanhar todos os dias os pacientes e têm medo que uma terapêutica menos agressiva falhe", afirmou o bastonário da Ordem dos Médicos.
O responsável garantiu ter já alertado o Ministério da Saúde para estes problemas de organização e manifestou disponibilidade para colaborar, como já fez no passado, em acções sobre os eventuais perigos do consumo de antibióticos.

