Ordem dos Médicos: criação de hospital na zona ocidental de Lisboa é uma “boa medida”

19.01.2010 - 14:39 Por Lusa
O bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje uma “boa medida” a criação de um hospital na zona ocidental de Lisboa, mas defendeu que o Hospital Egas Moniz devia voltar à sua vocação histórica de tratamento de doenças tropicais.
Pedro Nunes comentava assim à agência Lusa a intenção do Ministério da Saúde de construir um hospital na zona ocidental da cidade para substituir os hospitais de Santa Cruz, Egas Moniz e São Francisco Xavier, que vão fechar. “Eu acho muito bem essa reforma, mas que façam uma coisa que já devia ter sido feita há muitos anos: manter o Hospital Egas Moniz dentro da sua vocação histórica”, sublinhou.
No início da sua fundação, o Hospital Egas Moniz tinha como objectivo dar assistência médica a funcionários, civis e militares, que regressavam do Ultramar com doenças infecciosas.
O hospital tinha como objectivo, não só o tratamento dos doentes, mas também, em colaboração com o Instituto de Medicina Tropical, a investigação e o ensino pós-graduado em doenças tropicais e infecciosas para os médicos que se deslocavam para o Ultramar.
Pedro Nunes lamentou que o hospital tenha perdido essa vertente: “Portugal não tem neste momento um hospital especializado em doenças tropicais”.
Por outro lado, tem um Instituto de Higiene e Medicina Tropical que já foi considerado o segundo melhor instituto do mundo, a seguir ao inglês, e que, neste momento, não tem um hospital que o sustente, justificou. “Com tantos portugueses que trabalham em Angola e noutros países de Língua Portuguesa é absolutamente emergente e necessário criar um hospital vocacionado para a patologia tropical”, defendeu.
Pedro Nunes sublinhou que, se esta medida for uma oportunidade de juntar o Hospital Egas Moniz ao Instituto de Medicina Tropical, será a “reforma mais importante” que poderia ser feita. “De resto, construir hospitais é sempre uma boa medida e as pessoas poderem ser tratadas em sítios mais limpinhos e mais modernos”, frisou.
Lembrou ainda que os hospitais de Santa Cruz e São Francisco Xavier nunca foram pensados de raiz para serem hospitais. O Hospital de Santa Cruz começou por ser uma clínica privada que abriu falência depois do 25 de Abril, foi nacionalizada e transformada num hospital. Já o Hospital São Francisco Xavier, era uma clínica construída por uma companhia de seguros que não tinha viabilidade económica e que a então ministra da Saúde Leonor Beleza comprou e abriu como hospital, contou Pedro Nunes.

