Ordem dos Farmacéuticos sugere que problemas em Santa Maria estão para lá da porta da farmácia

06.08.2009 - 18:59 Por Clara Viana, Maria Lopes
A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos (OF), Elisabete Faria, considerou, em declarações ao PÚBLICO, que não se pode afirmar, à partida, que existam “contradições” entre os relatórios das inspecções feitas pela OF e pelo Infarmed ao Hospital de Santa Maria, ambos divulgados esta tarde.
A Ordem diz que não encontrou problemas, o Infarmed sustenta que registou situações “críticas”. A bastonária da OF recordou que no circuito investigado (de preparação e dispensa de medicamentos) existe uma parte que não é da responsabilidade dos farmacêuticos.
“O que nós observámos na farmácia hospitalar, tanto no que respeita à prática profissional, como aos passos realizados na manipulação e preservação do medicamento, está tudo conforme. Mas quando o medicamento sai fora da farmácia, o que se passa já não é da nossa responsabilidade”, disse Elisabete Faria, sugerindo que as “não conformidades” detectadas pelo Infarmed poderão estar nesta parte do circuito.
Esta responsável lembrou também que a preparação do medicamento também não é responsabilidade da farmácia hospitalar: “A preparação não é nossa, vem da indústria. Nós apenas fraccionamos em pequenas doses segundo as indicações dadas pelos médicos”.
Mas a bastonária acrescentou que não conhece o relatório da Autoridade do Medicamento. O assessor de imprensa do Infarmed esclareceu que não vão ser reveladas, para já, quais as “não-conformidades” detectadas, uma vez que a sua divulgação “pode comprometer” a investigação que o Ministério Público está a levar a cabo.
A inspecção do Infarmed foi realizada entre os dias 22 e 28 de Julho, no âmbito do circuito de preparação e dispensa de medicamentos. "A inspecção incidiu sobre as condições de preparação e dispensa de medicamentos e identificou não-conformidades, algumas delas consideradas críticas, ao abrigo da legislação em vigor aplicável aos serviços farmacêuticos hospitalares", lê-se no comunicado do Infarmed divulgado esta tarde.
O Santa Maria terá agora que apresentar ao Infarmed "um plano de medidas correctivas/preventivas no prazo de 10 dias". Depois desse prazo, o Infarmed voltará a inspeccionar o circuito para perceber se as não-conformidades agora detectadas foram corrigidas.
Ordem quer auditorias regulares
A inspecção da Ordem dos Farmacêuticos foi feita durante o dia ontem por cinco peritos. No relatório divulgado hoje a OF concluiu “não se ter verificado qualquer incorrecção por parte dos profissionais farmacêuticos nem qualquer alteração aos procedimentos estabelecidos”.
Porém, a Ordem recomendou à direcção do hospital “a revisão do Manual de Procedimentos, de forma a torná-lo o mais descritivo possível, assim como uma actualização do mesmo”. E aproveitou para reclamar publicamente que é necessário apressar a “regulamentação das carreiras de farmacêuticos e da consequente criação de equipas multidisciplinares, onde o farmacêutico terá o necessário e importante lugar, a fim de melhor evitar eventuais problemas futuros de consequências graves para os doentes”.
Ainda na ressaca do caso do Santa Maria, a OF anunciou que “deseja estabelecer com os Hospitais Civis de Lisboa acordos para a realização regular de auditorias externas a cargo de uma Comissão de Peritos da Ordem”. A primeira unidade a aderir foi já o Santa Maria, que verá assim regularmente monitorizados os seus serviços farmacêuticos e os respectivos circuitos com eles ligados.
Notícia substituída às 20h23

