O bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), Fernando Santo, defende que a energia nuclear "não pode ser um tabu" e deve ser discutida de "forma séria" em Portugal. Em resposta, a associação ambientalista Quercus sublinha que a energia nuclear serve apenas para produzir electricidade e afirma que a sua produção é dispendiosa.
A Ordem dos Engenheiros promove esta noite, em Lisboa, uma conferência que irá colocar em debate apenas adeptos do projecto nuclear (entre os quais o empresário Patrick Monteiro de Barros, que está disposto a investir na construção de uma numa central nuclear em Portugal), ignorado os que se opõem ao projecto, em particular as associações ambientalistas portuguesas. Não é esperada a presença de nenhum representante do Governo, depois de José Sócrates ter afirmado que a discussão sobre a energia nuclear está fora da agenda política para a actual legislatura.
A associação ambientalista Quercus critica a opção pela energia nuclear e questiona "a isenção técnica da Ordem dos Engenheiros", por ter convidado para o debate um grupo ambientalista francês pró-nuclear em detrimento de "qualquer voz dissonante nacional".
O bastonário da Ordem contrapôs e afirmou que "não toma posições contra nem a favor".
"Promovemos este encontro porque entendemos que Portugal não pode ficar para trás nestas questões e convidámos 200 pessoas do meio académico para estar presentes, sendo o debate moderado por jornalistas", afirmou Fernando Santo à Lusa.
O bastonário lembrou que a dependência externa de Portugal em termos energéticos é a maior da União Europeia (cerca de 80 por cento), sendo ultrapassada apenas por Chipre, Malta e Irlanda, e que a discussão em torno do nuclear está a ser retomada em toda a Europa.
"Actualmente, cerca de 30 por cento da energia eléctrica produzida na Europa é produzida por via nuclear. Em França, essa percentagem sobe para 50 por cento", sublinhou.
O responsável da OE declarou que este tema "tem de ser debatido de forma séria e não com ideias pré-concebidas".
"O que se pretende é debater as opções técnicas. As decisões políticas vêm depois", argumentou.
Fernando Santo lembrou que a sua ordem promoveu, no ano passado, vários seminários relacionados com questões energéticas, incluindo a promoção da eficiência energética dos edifícios.
"Temos promovido também a discussão em torno da energia hídrica, uma fonte renovável e que tem estado parada nos últimos anos, muitas vezes devido a queixas dos ambientalistas", disse.
Os ambientalistas apontam vários argumentos contra esta solução em Portugal, chamando a atenção para as oportunidades na área da conservação de energia, eficiência energética e fontes renováveis.
A Quercus sublinha que a energia nuclear serve apenas para produzir electricidade - que representa cerca de 20 por cento do consumo de energia final em Portugal - e afirma que a sua produção é dispendiosa.
Além disso, existem problemas associados à longevidade dos resíduos nucleares - que se estima em dezenas a milhares de anos -, relacionados com o transporte e armazenamento, e custos de desmantelamento das centrais.


