Cerca de 82 mil portugueses foram operados às cataratas no ano passado, o que representa mais dez por cento do que em 2006 e mais 20 por cento do que em 2005, segundo dados apresentados hoje por especialistas.
Numa altura em que a imprensa tem divulgado casos de portugueses que se deslocam ao estrangeiro, nomeadamente a Cuba, para cirurgias às cataratas, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) promoveu uma conferência de imprensa, em Lisboa, onde sublinhou que tem sido feito um “esforço” neste domínio em Portugal.
Segundo dados oficiais, foram operados em Portugal em 2007 cerca de 82 mil doentes com cataratas, um acréscimo relativamente aos anos anteriores.
“Sabendo que num país como a Bélgica, com o mesmo número de habitantes e com o mesmo número provável de cataratas, foram operadas 74 mil pessoas em 2007, fica-se com uma ideia do esforço efectuado no nosso país”, exemplificou Jorge Breda, presidente da SPO.
O especialista acentuou, também, o facto de 98 por cento das cirurgias serem efectuadas com a técnica “mais moderna” que existe.
Menos oftalmologistas e mais consultas
Para “desfazer equívocos”, o mesmo responsável lembrou que ter cataratas não é sinónimo de estar cego e pode permitir durante muito tempo ter uma “razoável acuidade visual”.
“Qualquer doente que seja invisual por causa de uma catarata será operado em menos de uma semana nos hospitais portugueses”, garantiu Jorge Breda.
Traçando um panorama mais geral, a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia revelou que o número de oftalmologistas em Portugal desceu 10 por cento em seis anos, enquanto as consultas tiveram um aumento de 25 por cento.
Em 2006 havia no Serviço Nacional de Saúde (SNS) 415 oftalmologistas, menos 46 clínicos do que em 2000, ao contrário da tendência de crescimento do restante pessoal clínico e administrativo.
Apesar disso, o número de consultas de oftalmologia passou de 485 mil em 2000 para mais de 600 mil seis anos depois.


