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Exigem reunião urgente com Administração Regional de Saúde

Onze freguesias de Lisboa rejeitam fecho das urgências dos centros de saúde

09.06.2006 - 16:44 Por Lusa

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Os autarcas receiam as consequências para os lisboetas, como o aumento da carga das taxas moderadoras Os autarcas receiam as consequências para os lisboetas, como o aumento da carga das taxas moderadoras (Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo))
Onze juntas de freguesia de Lisboa rejeitaram hoje o encerramento das urgências dos centros de saúde depois das 20h00 e exigiram ao Governo a suspensão desta decisão, alegando que irá prejudicar milhares de pessoas.

As juntas de freguesia da Ajuda, Ameixoeira, Carnide, Castelo, Madalena, Pena, Santa Engrácia, Santa Justa, Santo Estêvão, Santiago e São Vicente reuniram-se para discutir o eventual fecho dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP), que realizam menos de nove atendimentos por noite.

O encerramento nocturno das urgências nos centros de saúde faz parte da Proposta de Reestruturação do Atendimento às Doenças Agudas/Urgentes que a Direcção de Serviços de Saúde enviou a todos os directores dos centros de saúde da Sub-Região de Saúde de Lisboa.

Os centros de saúde de Lisboa a quem foi proposto reestruturar os seus serviços foram os da Ajuda, Alameda, Alcântara, Benfica, Coração de Jesus, Graça, Lapa, Lumiar, Luz Soriano, Marvila, Olivais, Penha de Franca, São João, Sete Rios e Santo Condestável.

Convocada pelo presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Paulo Quaresma, a reunião teve ainda como objectivo decidir as posições a tomar para impedir esta medida, que traz "consequências negativas para quem mora e trabalha em Lisboa" e vai "entupir os hospitais", conforme explicou o autarca. Entre as medidas mais imediatas, os autarcas decidiram pôr a circular um abaixo-assinado, que deverá ser entregue na próxima reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, e exigir uma reunião urgente com Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

A esperar há anos que a promessa de ter um centro de saúde na Ameixoeira se cumpra, a presidente da junta de freguesia local, Maria Albertina Ferreira, salientou a importância de manter as urgências. "Os primeiros cuidados nos centros de saúde são muito importantes e evitam que os doentes se dirijam para os hospitais e esperem longas horas para serem atendidos", frisou.

Esta opinião é sustentada pelo autarca do Castelo, Carlos Lima, comentando: "se o atendimento dos hospitais já é um caos, imagino o que será quando as urgências dos centros de saúde fecharem". Carlos Lima lembrou que as urgências de saúde que vão ser abolidas depois das 20h00 se situam em zonas onde a maioria da população é idosa e tem dificuldades de mobilidade.

No final da reunião, os autarcas assinaram um documento onde manifestam a sua "total solidariedade" com a população afectada e apelam à sua mobilização em torno das iniciativas que foram tomadas para protestar contra esta decisão do Governo. No documento, salientam que esta decisão terá consequências para os lisboetas, como o aumento da carga das taxas moderadoras, uma vez que, ao recorrerem aos hospitais, se o seu caso não for considerado urgente, serão penalizados no valor da taxa a pagar.

A resolução dos autarcas vai ser entregue ao Governo, à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, aos grupos parlamentares, aos presidentes da Câmara e Assembleia Municipal de Lisboa, aos presidentes das juntas de freguesia ausentes e aos centros de saúde.

Os representantes das freguesias decidiram ainda criar uma delegação de trabalho composta pelos presidentes das juntas de freguesia de Carnide, Ameixoeira e Santo Estêvão para discutir este assunto com as entidades responsáveis.

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