Enquanto a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) e a OIE (Organização Mundial para a Saúde Animal) reafirmavam que não há perigo em consumir carne de porco e que os embargos sobre as importações de carne de porco não são necessários para garantir a saúde pública, a OMS (Organização Mundial da Saúde) mostrou-se hoje muito mais prudente na sua avaliação dos riscos.
“A carne de porcos doentes ou encontrados mortos não deve ser processada nem utilizada para consumo humano em circunstância alguma”, disse à Reuters Jorgen Schlundt, director do Departamento de Segurança Alimentar, Zoonoses e Doenças Alimentares da OMS. “É possível”, salientou ainda este responsável, “que os vírus da gripe sobrevivam à congelação e estejam presentes na carne descongelada.” Ainda não se sabe se este vírus em particular sobrevive ou não, como também não se sabe se o sangue dos porcos infectados contém ou não o vírus – mas a OMS “recomenda que as pessoas envolvidas em actividades nas quais poderiam entrar em contacto com grandes quantidades de sangue e secreções (...) utilizem o devido equipamento protector”.
Todavia, a OMS não muda a sua recomendação de base segundo a qual comer carne de porco não apresenta perigo para a saúde humana. “Independentemente das questões técnicas sobre a possibilidade de sobrevivência do vírus, comer porco não apresenta perigo (...) Se os produtores estão a respeitar as directivas existentes, o vírus não entrará na cadeia alimentar humana”, frisou Schlundt.
No Canadá, onde o vírus A H1N1 foi detectado em porcos de uma exploração suína – que foram quase com certeza infectados por um agricultor doente com a nova gripe –, a resposta não se fez esperar: “A mensagem clara da OMS, que é a prática standard no Canadá, é que não se usam para consumo humano nem animais doentes nem animais [que sejam encontrados] mortos”, declarou ao fim da tarde Brian Evans, o máximo responsável canadiano pela área veterinária, citado pela agência Canadian Press. “Isto não muda nada para o Canadá. O que a OMS está a dizer é o que nós fazemos todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos como parte integrante do nosso sistema de inspecção alimentar.”


