O Sistema Nacional de Saúde tem "capacidade instalada" para responder a doenças oftalmológicas, mas é necessário optimizar uma rede, na qual "cerca de 50 por cento" dos hospitais não recorreram ao sistema de combate às listas de espera, defendeu o especialista Florindo Esperancinha.
De acordo com o oftalmologista, membro do grupo designado pelo ex-ministro da Saúde Correia de Campos para diagnosticar a área da Oftalmologia, aproximadamente metade dos serviços oftalmológicos (46) não recorreu ao Sistema Integrado de Gestão de Inscritos em Cirurgia (SIGIC) quando "os profissionais estavam dispostos a fazê-lo".
Florindo Esperancinha falou no mesmo dia em que o município de Vila Real de Santo António anunciou ter assinado um novo protocolo com o Ministério da Saúde de Cuba para possibilitar operações a cataratas a munícipes carenciados.
Segundo o despacho de Correia de Campos, o relatório sobre os actuais recursos humanos e materiais do sector deverá ser entregue à tutela até ao próximo dia 20. "Temos o relatório praticamente concluído e sabemos que se podem fazer mudanças nos modelos de funcionamento e organização dos serviços, mas são decisões que cabem às administrações dos hospitais e que em qualquer momento as podem colocar em prática", disse Florindo Esperancinha.
Instado a comentar o novo protocolo assinado entre o município de Vila Real de Santo António e o Ministério da Saúde de Cuba, o especialista sublinhou a existência de soluções dentro do SNS, que passam pelo SIGIC e contratualização externa de profissionais pelos hospitais.
"Há capacidade instalada e existem recursos humanos suficientes. Não faz sentido recorrer a essas soluções externas. No SNS, nos últimos seis meses foram operados 22 mil de 23 mil casos de cataratas e entretanto surgiram outros tantos, o que indica uma lista média de espera de seis meses neste momento, sem proceder a quaisquer alterações às condições que existem no terreno", sublinhou o oftalmologista.
O especialista lembrou que este seu comentário "enquanto técnico, nem sequer contempla o sector privado". "O próprio SIGIC prevê um cheque-cirurgia quando o SNS não dá respostas num período estipulado, mas o SNS tem capacidade para resolver a situação", lembrou.


