Oficina de S. José proíbe contacto com técnicos da associação Qualificar para Incluir

06.09.2006 - 10:28 Por Lusa
Os rapazes internados na Oficina de São José, no Porto, estão proibidos de contactar com técnicos da associação Qualificar para Incluir, a que pertencem quatro pessoas que testemunharam no julgamento da morte do transsexual Gisberta, noticia hoje o "Jornal de Notícias".
A decisão foi tomada pelo conselho de administração da instituição, que acolhia a maioria dos 13 menores envolvidos na morte do transsexual Gisberta, depois de a socióloga Cidália Queirós, directora da Qualificar para Incluir, ter denunciado a existência de maus tratos na Oficina de S. José.
Segundo o JN, a oficina decidiu também proibir a entrada nas instalações de dois assistentes sociais ligados à mesma associação, que prestava apoio educativo a rapazes ali internados.
Um dos técnicos visados, Fernando Campo, disse ao JN que a decisão foi comunicada por Cecília Reis, à porta do edifício, na Rua Alexandre Herculano, no Porto.
Surpreendida com a decisão dos responsáveis da instituição, Cidália Queirós disse que vai enviar uma exposição ao Ministério da Segurança Social, de quem a Oficina de S. José recebe subsídios. Além disso, escreve o diário, a socióloga vai participar o caso ao Ministério Público.
Os dois assistentes sociais da Qualificar para Incluir que foram ontem impedidos de entrar na oficina comunicaram os factos verbalmente ao Tribunal de Menores do Porto .
No final de Agosto, a direcção da oficina tinha dispensado os serviços de uma assistente social e de uma psicóloga, também ligadas à Qualificar para Incluir, sob a forma de não renovação dos contratos.
A assistente social, a directora da Qualificar para Incluir e outras duas técnicas testemunharam no julgamento do caso Gisberta. As declarações das quatro mulheres serviram de base a uma certidão para processo-crime no DIAP do Porto contra responsáveis da Oficina de S. José.
Ouvida pelo JN, uma fonte ligada à oficina disse que há razões para a decisão de impedir o contacto entre os rapazes e os técnicos da Qualificar para Incluir. "Apesar da validade do trabalho, a associação é uma entidade externa. E, como tal, não pode intrometer-se demasiado na vida da instituição", disse a mesma fonte.

