A morte de cinco portugueses no acidente de sábado nas obras de um viaduto em Andorra - sendo que quatro dos corpos restavam ontem por resgatar - agravou ainda mais a estatística dos trabalhadores nacionais que estão na construção civil no estrangeiro. Só em Espanha, nos últimos cinco anos, morreram pelo menos 40 portugueses.
Segundo Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção Civil do Norte, morreram 15 operários portugueses nas obras e mais 25 na estrada. O número, no entanto, pode ser maior, dado que muitas vezes as mortes não são contabilizadas em Espanha. "Ninguém pode dizer se não serão 50, 60 ou 70", diz Albano Ribeiro, que dá o exemplo de um português que teve um acidente em Vigo, mas acabou por morrer em Portugal, para onde foi transportado.
Ontem, em Andorra, cumpriu-se o pior cenário. Além dos três mortos confirmados no sábado, foi localizado o corpo de um quarto trabalhador português. Um quinto, preso nos escombros, chegou a ser retirado com vida durante a noite. Mas acabou por não resistir aos ferimentos e ao frio.
O acidente ocorreu sábado, cerca das 12h00, quando dezenas de operários estavam a trabalhar na construção de um viaduto que integra as obras do túnel de Dos Valires, entre as localidades de Encamp e La Massana. A estrutura cedeu, desabando de uma altura de cerca de 20 metros. Além dos cinco mortos, seis trabalhadores portugueses ficaram feridos.
Sob a neve e o risco de novos desabamentos, os trabalhos para recuperar os quatro corpos ainda soterrados foram suspensos às 14h00 de ontem. Ao final da tarde, membros do Governo de Andorra previam que os trabalhos fossem retomados hoje de manhã, com a ajuda de uma grua especial vinda de Espanha. A sua chegada era esperada ao longo da noite.
"Vamos dar prioridade absoluta à recuperação dos corpos", disse o chefe do Governo de Andorra, Jaume Bartumeu. Já os cinco feridos que foram internados, com fracturas e queimaduras, no Hospital Nostra Senyora de Meritxell, em Andorra, poderão regressar a Portugal assim que os médicos o autorizem. Os trabalhadores serão ainda ouvidos pelas autoridades, no âmbito da investigação ao acidente, cujas causas eram ainda ontem desconhecidas.
"Tudo muito rápido"
Um sexto ferido que tinha sido transportado, em situação grave, para Barcelona foi operado e não corre risco de vida. "Foi tudo muito rápido e confuso. Não tive tempo de ver nem ouvir nada. Senti como me doía a cabeça e a perna direita", disse o trabalhador, Fernando Pereira, de 40 anos, à agência Lusa.
O chefe do Governo de Andorra disse que há também uma inspecção em curso às duas empresas que contrataram os trabalhadores portugueses. Mas afirmou não ter, até agora, "elementos suficientes para pôr em dúvida" que as empresas estejam a cumprir a lei.
O Governo português tinha, ontem, a confirmação de que os trabalhadores estavam segurados. "Está tudo legalizado", disse ao PÚBLICO Eduardo Saraiva, assessor de imprensa da Secretaria de Estado das Comunidades. Nesta situação, acrescentou, "o Estado não tem de intervir" no repatriamento dos feridos ou na trasladação dos corpos. O Governo de Andorra dispôs-se a ajudar, se necessário.
Notícia alterada às 10h55
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