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Dia Mundial da Saúde

Obras de “beleza invulgar” contam história da medicina na Biblioteca Nacional

05.04.2010 - 13:00 Por Lusa

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Uma centena de obras com “uma beleza invulgar” que contam a história da medicina desde Hipócrates, através de livros e manuscritos, alguns nunca lidos, estarão em exposição a partir de quarta-feira, Dia Mundial da Saúde, na Biblioteca Nacional.

“Arte Médica e Imagem do Corpo - de Hipócrates ao final do século VIII” é o nome desta exposição que pretende demonstrar como é possível “ligar a medicina e as obras médicas ao sistema da cultura, em termos globais”, explica Adelino Cardoso, coordenador do Projecto Filosofia, Medicina e Sociedade.

Este especialista, que desde 2006 trabalha no projecto, destaca o pioneirismo da exposição: “É a primeira vez que há uma mostra, não só do conjunto, como da maioria destas obras. Algumas delas estavam quase ignoradas na BNP” (Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa). “Ouso afirmar que algumas destas obras nunca foram lidas. Uma ou outra ainda não tinha sido aberta”, adianta.

Expostas numa sala pintada para o efeito com a cor vermelho arterial, estarão obras que são na sua maioria livros, muitos deles com “gravuras de uma beleza muito grande”. “Há um trabalho de mérito científico, mas também um trabalho artístico associado”, sublinha Adelino Cardoso, para quem alguns livros são “monumentos do ponto de vista estético e visual”: “É uma exposição de obras muito preciosas”.

Ao longo de cem obras é possível seguir a história da medicina, começando com a primeira escola médica, na qual pontifica Hipócrates, venerado desde a antiguidade como o pai da medicina racional. Adelino Cardoso elege Hipócrates e Galeno (anatomista e experimentalista que investigou a função dos nervos e do cérebro) como os “grandes monumentos” da exposição. Destaca ainda outra presença de peso nesta exposição: Vesálio, o “marco inaugurador da modernidade” : “A obra de Vesálio [De humani corporis fabrica, lib. VII 1552] é uma obra com uma estrutura extraordinariamente coerente, mas também de uma grande beleza. A ideia é de que o corpo humano serve de paradigma para a compreensão do cosmo”.

Adelino Cardoso sublinha ainda “a obra que vai revolucionar toda a fisiologia moderna, a obra de Harvey sobre a circulação”. As obras são de tal forma únicas que durante os dias em que decorrer a exposição, até 31 de Julho, transformarão uma sala num “verdadeiro museu”, diz. Na exposição estarão visíveis cem obras, embora tenham sido reunidas e catalogadas mais de 2000, no âmbito de um projecto que visa “indagar a especificidade da medicina no âmbito da cultura”.

A iniciativa pretende demonstrar que cultura e saúde podem andar de mãos dadas: “É verdade que cultura e saúde não jogam muito, o que é estranho porque os fenómenos da saúde e da doença são fenómenos globais e é nossa intenção ligar a medicina e as obras médicas ao sistema da cultura, em termos globais”, disse Adelino Cardoso. A ideia é subscrita pelo director geral da BNP, Jorge Couto, para quem esta é “uma associação perfeita que permite, por um lado, tratar um dos temas mais importantes da actualidade e, por outro, dar-lhe uma retrospectiva histórica, uma vez que apresentamos obras do século XII em diante, até 1800”.

“A mostra permite demonstrar e exibir perante o público a nossa colecção de obras científicas, não se limitando o espólio da BNP à área de humanidades, como normalmente é encarada, já que contém valiosíssimas colecções de natureza científica”, sublinha.

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Agradeço

Agradeço a informação. Deve ser excelente e tenciono ir ver.

Anónimo

05.04.2010 16:58

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