A obra do túnel do Marão, iniciada em Março último, que integrará a futura auto-estrada entre Amarante e Vila Real, foi interrompida a semana passada por ordem do Tribunal Administrativo de Penafiel, após uma providência cautelar interposta pela empresa Água do Marão.
A firma de Ansiães (Amarante) alega que os materiais de construção usados nos trabalhos, a 600 metros da nascente, estão a contaminar a água, apesar de o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) garantir que a declaração de impacte ambiental está a ser cumprida.
À agência Lusa o presidente da Associação Empresarial Nervir, sediada em Vila Real, lamentou a paragem de uma obra que representa a alternativa ao "perigoso IP4", onde este ano já morreram oito pessoas, e que se constitui num troço importante para ligar "Trás-os-Montes ao litoral". Também os 1100 trabalhadores envolvidos na empreitada reagiram, tendo ontem anunciado um protesto. Também o presidente da Junta de Ansiães se revelou preocupado com a situação dos trabalhadores, já que constituem uma fonte de receitas acrescida durante o período de trabalhos, através do aluguer de casas e quartos e da frequência de restaurantes locais.
O presidente da Entidade Regional de Turismo do Douro salientou o carácter "fundamental" deste troço para o turismo do Douro.
O túnel representa um investimento de 350 milhões de euros e envolve 88 empresas. Ao PÚBLICO, o gabinete de comunicação do ministro das Obras Públicas não quis fazer comentários, declarando apenas que a situação será "tratada directamente entre a concessionária [liderada pela Somague] e os tribunais".
À data da assinatura do contrato de concessão da obra, o primeiro-ministro, José Sócrates, classificou-a como um investimento que garantia a "segurança rodoviária".
Esta decisão vem juntar-se à recusa, por parte do Tribunal de Contas, de conceder visto para as concessões rodoviárias Auto-Estrada Transmontana e Douro Interior, embora a Estradas de Portugal tenha anunciado que vai recorrer da decisão.


