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Perfil de Ophelia Haanyama Orum no Dia Mundial da Sida

“O pior estigma que tive de ultrapassar em relação ao VIH fui eu”

01.12.2009 - 07:30 Por Romana Borja-Santos

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Ophelia descobriu que estava infectada há 18 anos e, actualmente, trabalha numa ONG dedicada ao VIH/sida Ophelia descobriu que estava infectada há 18 anos e, actualmente, trabalha numa ONG dedicada ao VIH/sida (Enric Vives-Rubio)
Pelas suas contas, Ophelia devia ter morrido em 1996. Nasceu na Zâmbia há 42 anos e, tal como mais de um milhão de pessoas daquele país de 11 milhões, tem VIH (vírus da imunodeficiência humana). Foi contagiada pelo ex-namorado durante os anos 80 e descobriu, por acaso, em 1991, quando ficou grávida do segundo filho. Na altura, pouco havia a fazer. Os tratamentos eram escassos. Mas diz que teve a sorte de estar na Suécia na altura em que fez o teste e de, pouco depois, se ter mudado definitivamente para este país. Após um período de adaptação, dedicou-se a esta causa. Garante que o fez por “egoísmo”: “Fi-lo por mim e para aceitar a realidade. Se isso ajudou alguém, fico muito feliz.”

A gravidez não foi para a frente. Ophelia Haanyama Orum não estava preparada para ter aquele filho. “O meu objectivo era interromper aquela gravidez de qualquer forma”, assumiu em entrevista ao PÚBLICO. Como se reage quando um médico nos diz que temos VIH, o vírus da sida? Ophelia explica que é um processo. “De início estava demasiado chocada para estar zangada ou com raiva. Confundia VIH e sida. Para mim era tudo a mesma coisa. Ter apenas o vírus ou a doença para mim significava apenas que ia morrer no espaço de cinco anos. E de início nem tratamentos havia”.

Mas não morreu. E não tenciona morrer. Ao contrário do seu ex-namorado, da sua irmã, dos seus cunhados, de muitos primos e conhecidos. Escolheram não tomar os medicamentos quando estes apareceram. Entregaram-se à doença e escolheram morrer, assegura Ophelia. Depois de alguma apatia e incredulidade inicial, ficou zangada. Zangada consigo, com o namorado, com a vida, com o mundo. Zangada com quem lhe deu a notícia. “Cheguei a pensar que o médico só me tinha dito que tinha VIH por eu ser preta.” Simplesmente zangada. Mas percebeu que não podia viver assim. Tinha uma filha mais velha que precisava dela.

“Primeiro vem o choque e dura algum tempo, mas não podemos viver assim a vida toda. Levamos alguns anos a aprender a lidar com a situação, a aprender a melhor forma de contar à família e amigos que temos VIH. Durante alguns anos a nossa vida fica apenas focada numa coisa: VIH”, contou. Foi então que decidiu que queria continuar focada e dedicar-se à sida mas de uma forma mais oficial e abrangente. Não apenas por raiva. Trabalhou durante cinco anos como voluntária numa organização não governamental sueca, a Fundação Noah´s Ark – Cruz Vermelha. Depois mudou-se definitivamente para esta segunda casa em 2000 e hoje continua a trabalhar numa função ligada à divulgação da doença a nível internacional. É embaixadora do país para o VIH/sida e faz parte do "think-tank" da União Europeia relacionado com o tema.

Decidiu lutar contra a sida para ajudar os outros? Ophelia apressa-se a corrigir. “Não decidi lutar contra a sida. Decidi trabalhar comigo própria para compreender a doença. Nunca trabalhei contra nada. Não havia nada que eu pudesse fazer. Só trabalhei contra a minha atitude para comigo própria. Trabalhei para aprender a aceitar o VIH e viver com ele. Trabalhei muito para perceber que, por pouco tempo que vivesse, podia escolher como passar esse tempo. E definitivamente queria que fosse um tempo bem passado.”

E porque decidiu ajudar os outros? Ophelia dá novamente a sua versão. “Foi quase uma questão de egoísmo. Fi-lo por mim. Não sei se estou a ajudar alguém mas estou certamente a ajudar-me”, reiterou.

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É IMPORTANTE SER OUSADO/A

li com muita atenção todos os comentários, e fiquei francamente, triste com a ...

CORAÇÂO SOLIDÁRIO

03.12.2009 01:26

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