Gripe mexicana

O pior cenário é a epidemia passar para o hemisfério Sul, diz infecciologista

27.04.2009 - 20:55 Por Alexandra Campos

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No hemisfério Sul há menos tempo para preparar vacinas já que a época da gripe começa agora No hemisfério Sul há menos tempo para preparar vacinas já que a época da gripe começa agora (Vivek Prakash/Reuters)
O pior cenário será a epidemia de H1N1 com origem no México passar para o hemisfério Sul, onde a época da gripe vai começar agora, e não haverá tempo suficiente para produzir uma vacina, prevê o infecciologista Jaime Nina, coordenador do Departamento de Doenças Infecciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

No hemisfério Norte, se as autoridades não conseguirem entretanto impedir a disseminação do vírus (e essa hipótese já parece distante, dada a rapidez com que a epidemia se está a espalhar no México), o problema maior poderá colocar-se não agora, uma vez que a época da gripe está no fim, mas sim em Setembro ou Outubro próximo, quando o frio voltar. “Aí é que poderá haver uma pandemia”, antevê o infecciologista. Só que, até lá, haverá tempo para produzir uma vacina, nota, lembrando que os EUA já sequenciaram o vírus.

Jaime Nina diz ainda que se deve levar em conta o efeito da imunidade providenciado pela vacina contra a gripe sazonal que muitos portugueses tomaram neste Inverno e que incluía protecção contra o H1N1. Em teoria, os vacinados contra a gripe sazonal, se forem infectados, estarão “parcialmente protegidos – a doença será mais leve e haverá menos casos”, prevê. Apesar de não haver nenhum teste laboratorial [que o comprove], foi o que aconteceu noutros surtos, explica.

A nova estirpe do H1N1 tem na sua maior parte genes da gripe humana, mas inclui também dois de gripe suína e um de gripe aviária. Os norte-americanos fizeram testes para os quatro antivirais existentes e concluíram que é sensível ao oseltamivir (Tamiflu de nome comercial) e zanamivir (Relenza). E isto é “uma boa notícia”, porque o H1N1 em circulação já era resistente ao Tamiflu, lembra Jaime Nina. O problema é que os norte-americanos começaram a usar, de forma rotineira este antiviral para combater síndromas gripais, como em Portugal se usam antibióticos quando a doença é de origem bacteriana, e foram criando resistências.

A situação actual é diferente do que aconteceu com o vírus da gripe das aves (H5N1) que tanto alarme causou há seis anos e que esteve na origem da definição dos planos de contingência, a nível mundial, para uma eventual pandemia de gripe. A gripe das aves continua nas aves, havendo casos esporádicos em humanos, frisa o infecciologista. De 2003 até hoje, há notícia de 275 mortes.

Quanto à nova estirpe do H1N1, esta só é suína devido à origem, de resto é humana, lembra. O subtipo já é conhecido desde 1918, quando a gripe espanhola provocou entre 20 a 40 milhões de mortos (“nessa altura foi uma desgraça porque o vírus era novo”), mas hoje a situação é diferente.

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:)

:) :) Sr anónimo, tem o diabo no corpo? Só pode ! :) :) Ao menos valha-nos o bom humor! :) :)

Carlos

30.04.2009 16:31

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