• "Nada Tenho de Meu" - Um diário de viagem ficcionado no Extremo Oriente
  • A química e a física tomam conta da cozinha
  • O satay de porco do chef Paulo Morais

O namoro com o poder nos bastidores de uma universidade

30.11.2011 - 07:33 Por Andreia Sanches, com José António Cerejo

  • Votar 
  •  | 
  •  14 votos 
Capa do livro de Rui Verde e que vai ser posto à venda Capa do livro de Rui Verde e que vai ser posto à venda (DR)
Almoços de negócios em escritórios de empresas onde quase sempre há um “mordomo fardado de branco” e se come “invariavelmente peixe”, seja com “ministros, presidentes de bancos ou empresários”. Cumplicidades. Trocas de favores. Rui Verde, ex-dirigente da extinta Universidade Independente, um homem que desde sempre teve “uma certa inclinação pelo PSD”, escreve sobre as relações desta instituição de ensino privada com os políticos. E sobre a sua própria tentativa de aproximação à política – começou por tentar singrar contratando três agências de comunicação.

No livro O Processo 95385 (Livros d’Hoje - Publicações Dom Quixote e Exclusivo Edições), aquele que é um dos 24 arguidos no processo Universidade Independente, a instituição de ensino privada que fechou portas em Outubro de 2007 a mando do então ministro Mariano Gago, fala também dos “jotas”, governantes e ex-governantes dos dois principais partidos políticos que passaram pela instituição de ensino. E dos dias na prisão. “Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão desapareceram. Fui preso sozinho.”

Num processo que está ainda a decorrer, Rui Verde é acusado de burla, corrupção activa, falsificação de documentos e fraude fiscal. O seu livro é lançado hoje.

1. A Independente e os “jotas”

“A universidade era um meeting point [ponto de encontro] para os políticos”, escreve Rui Verde. Que claramente não tem grande opinião de muitos dos que lá passaram. “Jovens ambiciosos procuravam nela algum título para decorar a sua ignorância.”

E continua: “Tivemos muitos alunos provenientes das chamadas ‘jotas’ (...) a maioria queria o diploma apenas por uma questão de respeitabilidade externa. Faltavam o mais que podiam às aulas, procuravam inventar as mais estranhas épocas de exame e o curioso é que a lei os favorecia: bastava uma candidatura qualquer e todo o processo de avaliação era subvertido. Não me recordo de favores concretos, mas recordo um laxismo e desinteresse completo pelo saber (...). Saber, para eles, é conhecer quem mexe os cordelinhos na concelhia, quem nomeia o director do hospital e por aí adiante.”

2. A Independente e os “ex” do Governo

Se os “jotas” iam acabar cursos, os “ex” iam dar aulas, continua o livro de Rui Verde. “Outra gente que apareceu em barda na universidade foram os ‘ex’ (...) Quem saía dos governos buscava lá algum consolo intelectual e respeitabilidade pública – além de ir também, por vezes, procurar negócios. Geralmente, quando caía um governo já sabíamos que nos iam aparecer vários ex-ministros ou ex-secretários de Estado à porta.”

Nunca iam directamente, diz. Eram sempre aconselhados por algum “amigo” que “dizia que fulano tal tinha imenso potencial e know-how e poderia ser uma excelente aquisição para a universidade.” O que acontecia depois dessas sugestões? “De um modo geral, fazíamos pressurosamente o convite. As questões raramente eram monetárias. Se bem que todos quisessem uma remuneração, o ponto estava em serem considerados professores universitários. A verdade é que todos começavam os anos lectivos, mas poucos os terminavam, entregando rapidamente a tarefa a assistentes.”

Rui Verde admite que estes professores convidados não estavam na universidade para dar aulas, “mas para trocar favores”. O certo, lamenta, é que não foram assim tão gratos, lamenta. “Nunca obtivemos qualquer favor quando precisámos.”

3. O “gentleman” João Jardim

Pela Independente passaram muitas figuras públicas – políticos, jornalistas, empresários. E sobre várias delas Verde tece considerações. Umas elogiosas. Outras longe disso. De Alberto João Jardim, por exemplo, Verde diz ter a melhor impressão. “Um verdadeiro gentleman. Acedeu a dar aulas através do contacto de um madeirense que leccionava na Universidade Independente. Encarregou-se do seminário final do curso de Administração Regional e Autárquica, curso muito inovador que formou vários quadros para as autarquias portuguesas (...) Deu as suas aulas de forma gratuita e com muito empenho.”

4. O “pecado original”

A Independente nasceu com problemas. Começou mal, nas palavras de Verde. E acabou pior – numa “espiral de débitos terrífica”.

Estatísticas

  • 43852 leitores
  • 15 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1523175

Comentário + votado

Era boa prenda para um povo que está a ser Roubado

A melhor prenda que podiam dar a Portugal, era aparecer um Homem com H grande e os tomates no ...

jrocha

02.12.2011 14:31

X

Mais em Sociedade (4 de 16 artigos)

A região de Illinois emite mais de 265 milhões de toneladas de CO2 por ano EUA começaram a enterrar um milhão de toneladas de CO2 no subsolo