O fabuloso destino de Alfredo Casimiro, um casapiano milionário aos 30 anos

29.06.2010 - 14:30 Por Anabela Mota Ribeiro
Esta é a história nunca contada de um menino pobre que percebeu aos 30 anos que estava milionário. Um casapiano que acreditou no slogan da sua empresa: "We make it possible." (A Urbanos foi considerada a melhor PME para se trabalhar em 2010.) Como é que ele tornou isto possível?
Nasceu em 1966. Ontem. Viveu uma vida pobre, arrumada, limpa. Teve a noção do que eram cinco tostões, um tostão, dois tostões. "Os outros miúdos tinham jogos, brinquedos; as mães iam ao intervalo levar um bolo; a minha mãe, às vezes, conseguia comprar-me um bolo, mas de casa eu levava uma sandes." Fez o seu primeiro negócio aos dez anos. Foi aluno da Casa Pia. Encontrou um preceptor que lhe disse que ele não tinha jeito para nada. (Estará ele a ler a entrevista - pergunta-se Alfredo Casimiro?) Casou e teve filhas cedo. Fundou uma empresa eleita em 2010 como a melhor PME para se trabalhar. Envolveu a família. Cresceu. Enriqueceu.
Qual é o segredo de Alfredo Casimiro?
A entrevista acontece em casa, no country club de Belas. É uma casa imensa, de linhas despojadas, que não revela de forma ostensiva o património que acumulou nos últimos 20 anos. Não é um exibicionista. Nas fotografias pede, sem pedir, algum recato. Não pretende confirmar o cliché do novo-rico que posa na casa com piscina, exuberante. Desfaz-se num sorriso quando a filha mais nova anuncia que chegou a casa: "Pai, pai, pai!" Tem mais duas filhas, do primeiro casamento. A vida delas nem por sombras se parece com aquela que o pai teve. Mas ele teve o prazer de vencer.
A voz é tonitruante. Conta detalhadamente o que viveu. Não esquece pormenores como o de a carne vir da aldeia já arranjada. Ou o gesto do empregado que um dia não lhe deu uma bola de Berlim. Ou o olhar do pai numa conversa decisiva. Ou os anos em que não teve férias para fazer prosperar a empresa. (A Urbanos é hoje muito mais do que uma empresa de mudanças; Casimiro indica que apenas 20 por cento do volume de negócio resulta dessa área.)
A história desta entrevista começa há quase dois anos, quando pela primeira vez quis contar a vida de Alfredo Casimiro. Com polidez, recusou. Só este ano, depois da atribuição do prémio de melhor PME para se trabalhar em Portugal, e sobretudo depois da morte súbita do irmão, anuiu. Está mais sozinho. E dá a cara por um império que está a ser erguido.
Tem quase 44 anos. Às vezes parece que foi há uma eternidade, e não ontem, que tudo começou.
Quando é que teve a noção de que a sua vida podia ser uma coisa extraordinária?
Não tive essa noção. Tive essa necessidade.
Que quadro de vida era o seu? Como é que o vivia? Para perceber a necessidade que sentiu de o mudar.
Os meus pais são migrantes de uma aldeia perto de Alenquer, Cabanas de Torres. O meu pai foi criado no campo, fez o serviço militar, fez a guerra, instalou-se em Lisboa. Nasci em Julho, eles terão casado em Março ou Abril de 1966. Alugaram o chamado "quarto com serventia de cozinha". A minha mãe empregou-se numa fábrica de pilhas, a Tudor. Eu ficava com uns tios-avós que moravam perto, que me mimavam muito. Os donos da casa onde os meus pais viviam não tinham filhos. O homem era contrabandista, daqueles que nos anos 60 iam a Badajoz buscar chocolates e rebuçados para revender em Lisboa. Um dia comi chocolates até quase morrer, literalmente. Aos 16 meses, tive uma colagem completa dos intestinos e estive três semanas internado no hospital Dona Estefânia, no vai não vai.

