A televisão estatal birmanesa anunciou hoje um novo balanço oficial das vítimas do ciclone Nargis que atingiu o país, situando em 77.738 o número de mortos e em 55.917 as pessoas dadas como desaparecidas. Os números avançados hoje vão aproximando-se do balanço avançado por diplomatas estrangeiros e pela ONU, que estimam que tenham morrido mais de 100 mil pessoas.
Segundo a televisão estatal, não foi possível realizar uma actualização oficial do número de vítimas até ao final do dia de ontem, devido às condições meteorológicas que se registaram no país desde a passagem do Nargis, que devastou a região Sul da Birmânia.
A televisão estatal, controlada pela Junta militar no poder na Birmânia, avançou ainda que 19.359 pessoas ficaram feridas naquela que é uma das piores catástrofes sofridas pelo país, sublinhando que 159 funcionários do Governo morreram na passagem do ciclone e que 58 outros estão desaparecidos.
Diplomatas ocidentais e as Nações Unidas falam há vários dias na existência de mais de 100 mil mortos. Segundo o secretário de Estado britânico, Douglas Alexander, esse balanço poderá mesmo ultrapassar as 200 mil vítimas, com base em dados recolhidos por organizações não-governamentais no terreno.
Os números oficiais divulgados hoje surgem quando o comissário europeu para o Desenvolvimento, Louis Michel, se encontra de visita à Birmânia para tentar convencer a Junta militar a abrir as portas do país à ajuda internacional e, assim, evitar que o número de mortos venha a aumentar, devido à falta de assistência aos feridos e às pessoas que ficaram sem as condições mais básicas para viver.
Duas semanas após a passagem do Nargis, as autoridades birmanesas vão permitir amanhã, pela primeira vez, que representantes do corpo diplomático estrangeiro visitem, sob supervisão, determinadas zonas do delta do Irrawaddy devastadas pelo ciclone.
Para evitar uma “segunda catástrofe” no país, devido às restrições à entrada e distribuição de ajuda humanitária, a comunidade internacional continua a pressionar as autoridades birmanesas para que permitam que seja disponibilizado apoio à população.


