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Tipo de febre hemorrágica da família do vírus Ébola

Número de vítimas da febre de Marburg sobe para 113 em Angola

25.03.2005 - 10:48 Por AFP, Lusa, PUBLICO.PT

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O vírus, da família do Ébola (na foto), causa febres altas e hemorragias fatais O vírus, da família do Ébola (na foto), causa febres altas e hemorragias fatais (DR)
O surto de febre hemorrágica de Marburg em Angola já causou a morte de 113 pessoas, 111 das quais na província do Uíge e duas em Luanda.

"O balanço é de 111 mortos até às 16h00 horas locais de quinta-feira no hospital provincial de Uíge", indicou o porta-voz do ministério da Saúde, Carlos Alberto, que se encontra em Uíge, a 300 quilómetros ao Norte de Luanda.

Por seu turno, o director de Saúde da província de Luanda, Vita Mvemba deu conta de duas mortes por febre hemorrágica de Marburg na capital angolana. "Registou-se uma morte no hospital Josina Machel de um jovem de 15 anos vindo da província do Uíge e o caso de uma médica italiana, também na mesma província", indicou Vita Mvemba.

A febre hemorrágica de Marburg é da mesma família da causada pelo vírus Ébola, transmitindo-se por contacto com fluidos corporais, como o suor, a saliva ou o sémen.

Depois de serem desaconselhadas as viagens de portugueses para o Uíge, a Direcção-Geral da Saúde e as autoridades angolanas criaram mecanismos para prevenir a entrada em Portugal do vírus de Marburg.

Francisco George, subdirector-geral da Saúde, explicou que "as medidas de antecipação estão estabelecidas" e considerou que a possibilidade de transmissão da doença para fora desta região africana é "muito reduzida".

Ainda segundo Francisco George, está em funcionamento um "circuito de comunicação" entre a DGS e o Ministério da Saúde de Angola, estando ainda a ser dada informação aos passageiros que se deslocam de avião entre Angola e Portugal. "Foi criado um mecanismo de informação para aconselhar os passageiros que tenham estado no Uíge nos últimos 21 dias e que podem ter o risco de adoecer", adiantou.

O subdirector-geral da Saúde assegura igualmente que, se alguém adoecer em Portugal, há no país hospitais preparados para este tipo de casos.

A Comissão Europeia disponibilizou uma ajuda de emergência de 500 mil euros para combater o surto.



O que é o Ebola

O Ebola é uma febre hemorrágica fatal em humanos e primatas (macacos e chimpanzés), tendo aparecido esporadicamente desde que o vírus foi identificado, pela primeira vez, em 1976 na República Democrática do Congo (ex-Zaire).
A doença é causada pela infecção pelo vírus de Ebola, nome que deriva de um afluente do rio Congo, que corre na região onde foi pela primeira vez identificado o agente.
Três das quatro estirpes do Ebola identificados até agora causaram doenças em humanos: Ebola-Zaire, Ebola-Sudão e Ebola-Costa do Marfim — países onde foram confirmados casos desta doença. O quarto, Ebola-Reston (Reston é nome de um laboratório nos EUA que realizou estudos sobre esta estirpe), causou doenças apenas em primatas.
A origem, local e habitat natural exactos do vírus de Ebola permanecem desconhecidos, embora se saiba que pertence à família dos filovírus (chama-se assim devido à sua forma filiforme quando é visto ao microscópio). No entanto, com base na informação existente e na natureza de vírus semelhantes, os investigadores acreditam que o Ebola é transportado por animais, mantendo-se num animal hospedeiro que é nativo do continente africano. O vírus não é, tanto quanto se sabe, nativo de outros continentes.
Como o habitat natural do vírus é desconhecido a maneira como surge pela primeira vez no ser humano é desconhecida. No entanto, os cientistas acreditam que a primeira vítima contrai a doença devido ao contacto directo com o animal portador do Ebola.
A partir deste primeiro contágio o vírus pode ser transmitido de diferentes maneiras. As pessoas podem ficar expostas ao Ebola através do contacto directo com o sangue e/ou excreções de indivíduos infectados ou ainda através do contacto com objectos, como seringas contaminadas.
O vírus dissolve literalmente os órgãos internos dos doentes, que perdem sangue pelos olhos e ouvidos e acabam, em geral, por morrer de choque ou paragem cardíaca. Não existe um tratamento padronizado. Actualmente os pacientes recebem uma terapia de suporte que consiste em equilibrar os líquidos e electrólitos para manter bons níveis de oxigénio no sangue e uma boa pressão arterial.
Fonte: Centers for Disease Control and Prevention

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