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Seca grave já cobre todo o país

Número de concelhos com cortes de água aumenta

20.07.2005 - 09:04 Por Ricardo Garcia, (PÚBLICO)

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A falta de chuva está a ter efeitos na produção das centrais hidroeléctricas, mas a REN desdramatiza a hipótese de eventuais apagões A falta de chuva está a ter efeitos na produção das centrais hidroeléctricas, mas a REN desdramatiza a hipótese de eventuais apagões (DR)
O número de concelhos nos quais tem havido cortes no abastecimento de água aumentou na última quinzena, em função do agravamento da seca em Portugal. Neste momento, toda a área continental do país está em seca extrema (80 por cento) ou grave (20 por cento), segundo dados do relatório quinzenal sobre a seca, que é hoje divulgado.

O índice meteorológico da seca - que combina a precipitação, a temperatura do ar e a água no solo - tem vindo a agravar-se desde Maio passado. Com a remota possibilidade de chuvas substanciais no Verão, a perspectiva é a de que a situação piore ainda mais.

A expectativa agora está centrada nos efeitos da seca. E o aumento do número de concelhos com cortes de água é um deles. Neste momento, há restrições nos períodos de abastecimento em 21 concelhos - seis a mais do que há 15 dias. No total, 26.345 pessoas estão a ser afectadas por esta situação. Este número pode subir muito mais. Anteontem, a empresa Águas do Algarve, que já reduziu o abastecimento em 45 por cento em relação a 2004, alertou para prováveis faltas de água nas torneiras, caso as pessoas e as autarquias não poupem mais.

Além dos cortes, há vários concelhos que estão a recorrer a autotanques para garantir o abastecimento. Neste caso, a água é transportada pelos camiões até aos reservatórios e a partir daí distribuída normalmente na rede. Cerca de 26 mil pessoas estão a ser abastecidas desta forma, segundo dados do relatório da seca.

Morte de peixes onde não era esperada

A falta de chuva está a ter efeitos na produção das centrais hidroeléctricas, mas a Rede Eléctrica Nacional (REN) desdramatiza a hipótese de eventuais "apagões". Nas centrais térmicas, o problema está nas águas de arrefecimento, que poderão ter de ser descarregadas nos rios a uma temperatura maior do que a permitida.

O assunto foi discutido na última reunião da Comissão da Seca, na segunda-feira, e será alvo agora de uma reunião específica com as entidades directamente ligadas ao sector da electricidade.

A morte de peixes, outra das consequências prováveis da seca, está a surpreender as entidades envolvidas na Comissão da Seca. Até agora, ocorreram casos em albufeiras que não estavam entre as consideradas de maior risco. Na do Monte da Rocha, no Alentejo, foram retiradas 75 toneladas de peixes mortos desde a semana passada. O relatório da seca de 15 de Maio considerava que a necessidade de reduzir, pela pesca, o número de peixes nesta albufeira, de modo a evitar mortandades, era "pouco provável".

Na albufeira da Bravura, no Algarve, a morte dos peixes foi ainda mais surpreendente, dado que só afectou carpas e os parâmetros de temperatura e teor de oxigénio na água eram normais.

A retirada prévia dos peixes de outras albufeiras problemáticas, da responsabilidade da Direcção-Geral de Recursos Florestais, enfrentou atrasos, devido a questões financeiras. "Não havia disponibilidade orçamental", afirma o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Gonçalves. A situação foi, entretanto, desbloqueada e será a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA) que suportará os custos, segundo Rui Gonçalves.

A EDIA já começou a actuar na barragem do Enxoé, em Serpa, de onde foram retiradas dez toneladas de peixes em quatro dias. Está previsto que a albufeira - que tem problemas de poluição desde que foi inaugurada, em 1998 - seja esvaziada, limpa e reenchida com água do Alqueva, a cujo sistema passará a ficar ligada.

A situação da seca em Portugal vai ser avaliada in loco, amanhã e depois, pela comissária europeia para a Agricultura e Desenvolvimento, Mariann Fischer Boel. A comissária vem a Portugal a convite do ministro da Agricultura, Jaime Silva, que pretende sensibilizá-la para os problemas que o país enfrenta.

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Anónimo

20.07.2005 10:43

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