A construção e instalação do novo Hospital de Todos os Santos, em Lisboa, custará 377 milhões de euros e será feita em parceria público-privada, embora a gestão clínica fique inteiramente sob responsabilidade do Estado.
O sector privado ficará responsável pela construção e área dos serviços gerais e equipamentos do hospital, com excepção da alta tecnologia da área médica.
"Com esta parceria esperamos alcançar diversos benefícios para o Estado e para os cidadãos: uma partilha adequada de riscos com o sector privado, um controlo efectivo dos custos com a obra, eficiência na gestão da manutenção da infra-estrutura ao longo de 30 anos de concessão e o controlo dos custos dos serviços complementares de apoio (alimentação, gestão de resíduos, lavandaria, etc) ao longo de dez anos", estimou a ministra da Saúde na cerimónia de lançamento do concurso público. Ana Jorge mostrou-se convicta de que "há muitos privados interessados em estabelecer parcerias".
O investimento de 377 milhões de euros inclui a construção, colocação do equipamento geral e custos operacionais de funcionamento, deixando de parte a gestão clínica. Os pagamentos do Estado só começarão a ser feitos a partir do terceiro ano após a assinatura do contrato, quando o edifício do Hospital for disponibilizado.
O Hospital de Todos os Santos, que ficará na zona de Chelas, na freguesia de Marvila, estará pronto dentro de quatro anos e vai substituir cinco hospitais actualmente existentes em Lisboa: São José, Capuchos, Destrerro, Santa Marta e Estefânia.
Hospital de referência alargada
O edifício do novo hospital irá ocupar mais de 165 mil metros quadrados, contará com quase 800 camas, 22 blocos operatórios, oito salas de parto e 86 gabinetes de consulta externa. Terá uma área especificamente destinada ao atendimento pediátrico e outra dedicada às mulheres.
Durante a cerimónia de lançamento do concurso público, foi mostrado um vídeo sobre o novo hospital, onde se destacaram os "elevados níveis de habitabilidade e conforto". Um exemplo disso é a criação de quartos, maioritariamente individuais ou para duas pessoas, e a possibilidade de haver acompanhamento familiar durante os internamentos.
Com uma área de influência directa de 281 mil habitantes (185 mil das freguesias de Lisboa e 96 mil de freguesias de Loures), o novo hospital vai ser também a unidade de referência e de apoio em especialidades para a população residente na área de influência do hospital de Vila Franca de Xira.
"Esta é uma parceria que nos vai permitir servir melhor cerca de um milhão de habitantes, como hospital de referência alargada. Cidadãos que vão ter ao seu dispor aquilo que de melhor existe no domínio hospitalar", estimou a ministra da Saúde, que à entrada e saída da cerimónia foi aplaudida por alguns habitantes da zona de Chelas.
Na área de grandes queimados, transplantes hepáticos, do coração, do pulmão, pâncreas e rins e na área da cardiologia pediátrica, o Hospital de Todos os Santos vai dar resposta aos distritos das regiões de Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve.
A futura unidade vai ainda constituir-se como hospital com ensino universitário, vocacionado para as ciências médicas e da saúde.
Assim, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa vai colaborar com o novo Hospital para "garantir uma moderna articulação entre o ensino universitário da medicina, a actividade hospitalar e a investigação científica".
"Esta parceria reveste-se da maior importância, pois irá permitir a formação de um maior número de médicos e outros profissionais de saúde, dando resposta a uma lacuna que é urgente colmatar", sublinhou Ana Jorge durante o seu discurso.
Novas oportunidades para a freguesia de Marvila
Muito satisfeito mostrou-se o presidente da Câmara de Lisboa, que destacou que a construção do novo hospital vai permitir "melhorar o equilíbrio urbanístico da cidade" e contribuir para recuperar a freguesia de Marvila, "há muitos anos abandonada".


