O julgamento do processo da Casa Pia prossegue hoje no Tribunal de Monsanto, depois de uma interrupção de dois dias ditada pela greve no sector da justiça - a que aderiram dois dos juízes do colectivo e os procuradores do Ministério Público -, com a audição de uma nova testemunha, um jovem de 19 anos, que apenas acusa um arguido deste processo: o embaixador Jorge Ritto.
Por concluir está ainda a instância, iniciada na segunda-feira, dos advogados da Casa Pia à testemunha anterior. A juíza Ana Peres contava que essa instância tivesse terminado hoje, razão pela qual convocou a nova testemunha, mas a greve alterou os planos.
O jovem que hoje começa a responder ao tribunal tem, como as outras alegadas vítimas deste processo, uma história de infância dramática, relatada no despacho de pronúncia do processo: filho de um pai alcoólico e agressivo, cresceu sem quaisquer apoios educativos ou afectivos e sem os cuidados mínimos a nível da alimentação e da saúde. A sua débil situação física, resultante da má nutrição e falta de higiene, agravou-se por volta de 1994, altura em que se dedicava a arrumar automóveis e exercia a mendicidade.
Esta alegada vítima prestou declarações seis vezes ao nível do inquérito e uma vez durante a instrução do processo, tendo começado por negar ter sido alvo de abusos sexuais. Mais tarde, inclusive em sede de instrução, admitiu ter tido contactos sexuais com Jorge Ritto e procedeu ao reconhecimento de casas na Alameda de D. Afonso Henriques e na Avenida da República, onde esses contactos terão tido lugar.
Prevê-se que o julgamento prossiga na segunda-feira com o final do depoimento da testemunha, cujas declarações foram interrompidas em resultado da greve. Na quarta-feira, começam os depoimentos por videoconferência, estando agendada para este primeiro dia a audição de duas alegadas vítimas, um jovem que acusa de abuso sexual cinco dos arguidos - Carlos Silvino, Ferreira Dinis, Carlos Cruz, Jorge Ritto e Hugo Marçal - e outro que, em sede de inquérito, declarou ter sido abusado por Silvino, Ritto, Ferreira Dinis e pelo ex-ministro do PS Paulo Pedroso, que não é arguido no processo.


