Nova remessa de vacinas contra a gripe sazonal deverá chegar hoje às farmácias

18.10.2006 - 08:26 Por Catarina Gomes, , (PÚBLICO)
Depois de a primeira remessa de cerca de 660 mil vacinas contra a gripe se ter esgotado nas farmácias, estão previstos reforços. O laboratório com metade da quota do mercado português garante ter hoje nas farmácias mais 370 mil doses.
A subdirectora-geral de Saúde, Graça Freitas, afirma que poderá haver quantidades residuais de certas marcas em algumas farmácias, mas confirmou que durante esta semana chegam as cerca de 370 mil doses. Na primeira semana de Novembro serão mais 70 a 80 mil e todas as semanas vai haver uma quantidade regular de doses a chegar às farmácias. Ao todo, vai ser possível vacinar em Portugal 1,67 milhões de pessoas - mais 91 mil do que no ano passado.
Há sete laboratórios que produzem vacinas e exportam para Portugal. Quem garante que hoje chegam as farmácias 370 mil doses da vacina Influvac - a juntar às 300 mil já distribuídas - é a SolvayFarma, disse ao PÚBLICO o seu director-geral, Álvaro Rosa. Cerca de metade das vendas no país são desta marca. João Carlos Barros, responsável do laboratório UCB Farma, prevê também que entre hoje e o final da semana cheguem ao mercado 400 mil doses da Istivac, a segunda vacina mais vendida.
Empresa tenta reduzir o absentismo
Graça Freitas afirma que este ano a entrega de vacinas nas farmácias foi adiada intencionalmente. As pessoas estavam a vacinar-se muito precocemente (em Setembro), quando o pico da gripe costuma ser em Dezembro e a vacina perde alguma eficácia ao longo do tempo, explica. Este ano passou a ser possível comprar as vacinas a 2 de Outubro em vez de a 15 de Setembro, como era habitual.
Graça Freitas afirma que a cobertura mediática dada à gripe explica em parte a corrida às farmácias, o que muitas vezes pode assentar num mal-entendido: a vacina contra a gripe sazonal não protege ninguém contra uma eventual pandemia com origem na gripe das aves.
Ao mesmo tempo, há empresas que têm como política a vacinação dos seus funcionários, para prevenção de epidemia e "redução do potencial absentismo laboral", explicou por e-mail Nuno Pinto Magalhães, responsável da Central de Cervejas, que desde a década de 1970 segue esta política. A vacinação é voluntária e gratuita para todos os trabalhadores, sendo vacinados cerca de 30 por cento (o que corresponde a cerca de 250). Mas dá-se especial enfoque "aos trabalhadores com problemas crónicos de saúde", nota.
Empresas como a Caixa Geral de Depósitos, a Rádio Renascença e o Banco de Portugal também vacinam os seus funcionários, refere a agência Lusa.
"As empresas têm liberdade de vacinar os seus funcionários. Nós não incentivamos. Preferíamos que fossem deixadas para doentes crónicos e idosos", declara Graça Freitas. A quantidade de vacinas atribuída a cada país é limitada e em Portugal costuma limitar-se a 1,5 milhões de doses. No ano passado esgotaram, mas em 2000, por exemplo, sobraram porque houve menos gripe explicou Graça Freitas.
Tal como noutros anos, a Direcção-Geral de Saúde apelou "à prescrição criteriosa", para evitar que falte a vacinação a quem mais precisa. As sete marcas existentes exigem receita médica.
Para Luís Pisco, médico de família e responsável pela unidade de missão que coordena a reforma dos centros de saúde, a chegada tardia às farmácias colocou uma grande pressão sobre os médicos para a prescrição. Ao mesmo tempo, nota que as empresas têm políticas de vacinação há anos e é a própria Organização Mundial de Saúde a recomendar que a população laboral seja vacinada. Uma possível epidemia "pode parar empresas".
Em Portugal, no ano passado, a cobertura de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos ficou-se pelos 40 por cento; este ano aponta-se para metade dos idosos. Também fazem parte dos grupos de risco os doentes crónicos e os profissionais de saúde.

