Nova estirpe do vírus da gripe terá matado mais de 50 pessoas no México

24.04.2009 - 20:42 Por Agências
O Governo mexicano confirmou hoje que uma nova estirpe do vírus da gripe causou pelo menos 16 mortos nas últimas semanas, estando a ser investigadas as causas de morte de outras 50 pessoas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que o número de vítimas mortais ultrapasse já a meia centena.
A OMS confirmou que, em vários dos casos analisados foi identificada uma estirpe nunca antes do vírus influenza A (H1N1), que afecta sazonalmente os humanos e que atinge também aves e suínos.
Só no México, foram hospitalizadas mais de 800 pessoas suspeitas de estarem infectadas com a nova estirpe, que provocará mais vómitos e diarreia do que a gripe sazonal. As autoridades anunciaram um plano maciço de vacinação e, na Cidade do México, onde residem 20 milhões de pessoas, todas as escolas foram encerradas e a população aconselhada a evitar o metro. Além da capital, foram detectados outros dois surtos, na região central e em Mexicale, junto à fronteira com os Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, foram identificadas sete pessoas infectadas também com uma nova estirpe da gripe, na Califórnia e no Texas, mas nenhum dos pacientes corre risco de vida.
Preocupada com estes surtos, a OMS garante estar em contacto permanente com as autoridades americanas e mexicanas e convocou o seu comité de emergência, para determinar se esta situação constitui uma ameaça à saúde pública mundial. Foi também activado um centro de operações para centralizar as informações recebidas.
Segundo um porta-voz da organização, 12 das 18 amostras recolhidas nas 57 vítimas identificadas no México mostram que o vírus apresenta uma estrutura genética semelhante ao detectado na Califórnia. Mas a OMS não planeia elevar o nível de alerta pandémica até à conclusão de mais exames. Adiantou, entretanto, que os pacientes tratados com Tamiflu, um dos mais poderosos e recentes antivirais para a gripe existentes no mercado.
O sistema de vigilância da gripe foi melhorado em 2003, altura em que foi detectado um novo surto de infecções em humanos pelo vírus da gripe das aves (H5N1). Apesar de apenas pessoas que estiveram em contacto directo com os animais terem adoecido (apenas pontualmente se transmitiu entre seres humanos), os peritos temem que este, ou outro tipo de vírus, sofra uma mutação, passando a transmitir-se facilmente entre humanos, à semelhança da gripe sazonal. Isso é que poderia dar origem a uma pandemia, uma epidemia de gripe a nível global.

