Nenhum dos quatro mil processos-crime levantados pela ASAE foi ainda a julgamento

14.11.2007 - 15:00 Por Lusa
Ainda não foi julgado nenhum dos quatro mil processos-crime sobre material falsificado levantados pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) desde a sua criação, apesar de já terem sido detidas 600 pessoas pela mesma entidade.
A inexistência de um único processo julgado levou o inspector-geral da ASAE, António Nunes, a pedir uma audiência ao procurador-geral da República, Pinto Monteiro, que decorreu hoje.
No final do encontro, que se realizou hoje na procuradoria, António Nunes disse estar "preocupado" com o elevado número de processos relativos à apreensão do material contrafeito, nomeadamente "CD, DVD e marcas". "Há muitos processos a correr e falei com o procurador no sentido de poderem ser mais abreviados em termos de perícia do material", revelou, acrescentando que a ASAE é responsável pelo levantamento de cerca de "quatro mil processos-crime".
Apesar de considerar que os prazos processuais são "normais", António Nunes sublinhou que "até hoje, depois de 18 meses de existência da ASAE, ainda nenhum processo foi julgado". "Esta é uma matéria que merece atenção, porque não quero que amanhã me estejam a perguntar sobre os processos que não foram resolvidos", afirmou o inspector-geral, que admitiu temer que o "elevado volume de processos não tenham seguimento".
As investigações levadas a cabo por aquela polícia resultaram na detenção de 410 pessoas este ano e 190 no ano passado, situação que António Nunes diz representar "grande volume de instrução processual".
De acordo com o assessor da ASAE, os detidos foram identificados e notificados para se apresentarem ao juiz da sua comarca, depois "alguns processos mais sumários foram resolvidos no momento, enquanto os outros precisam ainda de proceder à instrução, procedimento que demora alguns meses".

