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Penafiel

Mulher que sequestrou bebé nega premeditação e diz-se arrependida

11.09.2007 - 14:01 Por Lusa

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 (PUBLICO.PT)
A auxiliar de geriatria que começou hoje a ser julgada em Penafiel por sequestro de uma recém-nascida no Hospital Padre Américo confessou os factos que lhe são imputados, negou premeditação, afirmando que agiu por desespero, e declarou-se arrependida.

Irregularidade menstrual, testes de gravidez que disse terem resultado inconclusivos, falta de acompanhamento médico e a não realização de qualquer ecografia fizeram-na alimentar a esperança, que foi construindo e transmitindo a pessoas próximas ao longo de vários meses, de que se mantinha a gravidez que desejava.

Só três ou quatro dias antes do sequestro é que obteve a certeza de que não seria mãe, mas não teve a "coragem" de o transmitir.

"Tinha mentido sobre a gravidez" e "estava desesperada e confusa", disse Alice Ferreira, que, mesmo antes da inquirição formal pelo Tribunal de Penafiel, já tinha confessado que "tudo" o que constava da acusação era "verdade".

Precedendo o sequestro, deambulou pela região de carro, levando consigo "a ideia de desaparecer" ou de esperar que surgisse "um milagre", que, conforme referiu, tanto poderia ser a sua morte como "encontrar um bebé abandonado".

Acabou por dirigir-se ao Hospital Padre Américo e consumar o sequestro, "pegando na criança que estava mais à mão", sem, como afirmou, medir as consequências do seu acto.

"Só mais tarde caí em mim", sublinhou, num depoimento pontuado por algumas contradições.

Perante o colectivo dirigido pelo juiz Alberto Moreira Dias, Alice Ferreira disse que encarou a sua detenção, após denúncia, com "alívio" e assegurou que recorda os factos que protagonizou como "um pesadelo".

"Tinha medo e remorsos. Tinha muito amor à menina, mas sabia que não era minha. Sempre que batiam à porta, pensava que era a polícia", declarou.

O companheiro, Carlos Barbosa, disse que não deu conta de que Alice estivesse grávida, já que se trata de uma mulher forte.

Foram ainda ouvidos três inspectores da Polícia Judiciária, que descreveram as investigações, bem como a mãe biológica, Isaura Pinto, que disse ter sofrido muito durante o tempo que esteve privada da filha, sendo obrigada a recorrer a tratamento psicológico.

A criança, filha de Isaura e Abílio Pinto, um casal de Lousada, foi levada de uma enfermaria de obstetrícia, no sexto piso do Hospital do Vale do Sousa, em Penafiel, a 17 de Fevereiro do ano passado, dois dias depois de ter nascido.

Joana Filipa, como lhe chamaria a sequestradora, ou Andreia Elisabete, como foi registada pelos pais, ficou em poder da auxiliar de geriatria até 12 de Março deste ano, altura em que uma cunhada denunciou a situação à PSP de Valongo.

Testes de ADN vieram a comprovar que o bebé em poder da mulher de Valongo era a mesma que tinha sido subtraída ao casal de Lousada.

A auxiliar de geriatria, de 38 anos, que esteve em prisão preventiva e que, mais tarde, foi colocada na sua residência com pulseira electrónica, está formalmente acusada pelo Ministério Público de um crime de sequestro.

O sequestro é geralmente punível com prisão até três anos ou multa mas, neste caso, o Ministério Público entende que crime deve ser penalizado com prisão entre dois e dez anos.

O agravamento da moldura penal decorre do preceituado nas alíneas a) e e) do artigo 158 do Código Penal, por o sequestro ter durado mais de dois dias e ter sido perpetrado "contra pessoa particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez".

Na acusação do processo, consultada pela agência Lusa, conta-se que a auxiliar de geriatria usou um saco acolchoado, habitualmente destinado ao transporte de artigos de puericultura, para trazer a bebé para fora do hospital sem levantar suspeitas.

O Ministério Público explica que a mulher se socorreu também de algum engenho para "furar" o sistema de segurança do hospital e obter um cartão de acesso às enfermarias de obstetrícia, onde poderia encontrar recém-nascidos.

Primeiro, espreitou no balcão de controlo de visitas, sem que ninguém se apercebesse, a lista das parturientes internadas.

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