Muita chuva e pouca gente esperavam Carlos e Camilla nos Jerónimos

28.03.2011 - 16:33 Por Ana Gomes Ferreira
O percurso foi o mesmo, mas a companheira é diferente e o país está em crise. Razões suficientes para o príncipe Carlos ter sido poupado às enchentes de outrora na primeira paragem em Portugal, que visita por dois dias com a mulher, a duquesa da Cornualha.
Ao início da tarde, o casal visitou os Jerónimos, passagem obrigatória de muitas visitas de Estado - a sua mãe esteve ali na primeira visita nos anos de 1950 e na mais recente, em 1988. Carlos também já lá estivera, há 23 anos. E também chovia, como ontem, mas a assistência era incomparável, era uma multidão, porque Carlos levava pelo braço a primeira mulher, a princesa Diana.
A princesa de Gales foi, nesta viagem, o centro das atenções, ofuscando o marido. E, segundo as crónicas do divórcio que aconteceu em 1996, foi em Portugal que o casamento acabou.
Mas de manhã, a visita do herdeiro da coroa britânica e de Camilla Shand passou ao lado dos portugueses.
O príncipe e a duquesa visitaram o mosteiro, depositaram uma coroa de flores no túmulo de Camões, foram ao Palácio de Belém e enquanto o príncipe conversou com o Presidente Cavaco Silva, Camilla visitou o Museu dos Coches.
À tarde, seguiram para o Alfeite, onde o príncipe entregou prémios aos cadetes e visitou o navio-escola Sagres (o seu pai, duque de Edimburgo, também visitou a embarcação).
A rota da monarquia inglesa em Portugal não tem, como se vê, muitas mudanças. Apenas variações de um guião escrito em função do que é obrigatório em cada cidade, dos gostos pessoais do visitante e do objectivo da visita. E esta é, segundo os comunicados oficiais, uma viagem para estreitar as relações comerciais e destacar as energias renováveis e o mar.
No plano comercial e de interesse pessoal do príncipe, há amanhã de manhã uma visita a uma unidade de agricultura biológica em Alcochete, terra que já estivera no percurso do príncipe em 1998, quando veio celebrar o Dia do Reino Unido da Expo. Há 25 anos que Carlos defende os princípios e benefícios da agricultura biológica e tem unidades de produção nas suas terras na Cornualha.
Daí partirá para Évora onde uma fábrica que está a produzir carros eléctricos – a guerra contra a poluição e o aquecimento global é outra das batalhas do príncipe. E junta-se depois a Camila (estarão em Sintra e plantarão rosas), que enquanto Carlos vê legumes biológicos e automóveis irá visitar o Instituto de Medicina Molecular do Hospital de Sta. Maria, assistirá a uma exibição equestre no hipódromo de Lisboa e dará um pulo à Casa de Amparo de Santo António.
Após o banquete na casa do embaixador, está encerrado o trabalho do príncipe e de Camilla em Portugal e o casal parte para Espanha, um país que não sendo um aliado histórico do Reino Unido como Portugal, tem outro peso na Europa e onde vigora a monarquia, o que explicará as 11 visitas que Carlos já fez a este país. E a ronda por países do sul do casal termina em Marrocos.
Notícia substituída às 18h42

