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Muhammad Yunus em Lisboa para falar do microcrédito

22.03.2007 - 12:07 Por Lusa

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Yunus está hoje em Lisboa Yunus está hoje em Lisboa (Haakon Mosvold Larson/Reuters)
O Prémio Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus, está hoje em Lisboa para participar em duas conferências sobre microcrédito e desenvolvimento de parcerias entre os governos e as fundações.

O Nobel da Paz, que esteve em Portugal em Novembro de 2006, vai abrir a conferência internacional "Developing Partnerships for a Developed World: Foundations anda Governments Learning to Work Together".

Yunus, considerado o pai do microcrédito, foi galardoado no ano passado com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o banco Grameen, de que foi fundador.

O microcrédito é um instrumento de combate à pobreza e exclusão social que valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho.

É concedido a pessoas que, sem acesso a créditos normais mas com condições e capacidades pessoais para desenvolver uma actividade concreta, consigam contrair empréstimos para criar o seu pequeno negócio.

Muhammad Yunus, 66 anos, começou nos anos 70 um projecto de ajuda aos mais pobres, revolucionando a ideia de banca tradicional.

Nascido no Bangladesh, Yunus doutorou-se em Economia nos Estados Unidos da América e voltou em 1972 para o seu país de origem para ser professor universitário e responsável do Departamento de Economia da Universidade de Chittagong.

Descontente com o reduzido efeito das as suas teorias económicas na melhoria das condições de vida dos mais pobres, durante um período de fome emprestou do seu próprio bolso 27 dólares a 42 pessoas da cidade de Jobra, no Bangladesh, para que estas pudessem avançar com pequenos negócios.

Depois de ter sido reembolsado, Yunus entusiasmou-se com a ideia de criar um novo banco independente, nascendo então o conceito do microcrédito.

Em 1976, criou o Banco Grameen (Banco das Aldeias).

Desde essa altura já distribuiu mais de 2,3 mil milhões de euros a pessoas necessitadas.

Actualmente o Grameen tem 12 mil funcionários, 1200 balcões e trabalha com 40 mil aldeias das 68 mil existentes no país e inspirou experiências semelhantes em países igualmente pobres e outros mais ricos por todo o mundo, como os EUA e Portugal.

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