O Prémio Nobel da Paz 2006, Muhammad Yunus, está hoje em Lisboa para participar em duas conferências sobre microcrédito e desenvolvimento de parcerias entre os governos e as fundações.
O Nobel da Paz, que esteve em Portugal em Novembro de 2006, vai abrir a conferência internacional "Developing Partnerships for a Developed World: Foundations anda Governments Learning to Work Together".
Yunus, considerado o pai do microcrédito, foi galardoado no ano passado com o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o banco Grameen, de que foi fundador.
O microcrédito é um instrumento de combate à pobreza e exclusão social que valoriza a capacidade de iniciativa na criação de condições de desenvolvimento de pequenos negócios, permitindo a plena inserção no mundo do trabalho.
É concedido a pessoas que, sem acesso a créditos normais mas com condições e capacidades pessoais para desenvolver uma actividade concreta, consigam contrair empréstimos para criar o seu pequeno negócio.
Muhammad Yunus, 66 anos, começou nos anos 70 um projecto de ajuda aos mais pobres, revolucionando a ideia de banca tradicional.
Nascido no Bangladesh, Yunus doutorou-se em Economia nos Estados Unidos da América e voltou em 1972 para o seu país de origem para ser professor universitário e responsável do Departamento de Economia da Universidade de Chittagong.
Descontente com o reduzido efeito das as suas teorias económicas na melhoria das condições de vida dos mais pobres, durante um período de fome emprestou do seu próprio bolso 27 dólares a 42 pessoas da cidade de Jobra, no Bangladesh, para que estas pudessem avançar com pequenos negócios.
Depois de ter sido reembolsado, Yunus entusiasmou-se com a ideia de criar um novo banco independente, nascendo então o conceito do microcrédito.
Em 1976, criou o Banco Grameen (Banco das Aldeias).
Desde essa altura já distribuiu mais de 2,3 mil milhões de euros a pessoas necessitadas.
Actualmente o Grameen tem 12 mil funcionários, 1200 balcões e trabalha com 40 mil aldeias das 68 mil existentes no país e inspirou experiências semelhantes em países igualmente pobres e outros mais ricos por todo o mundo, como os EUA e Portugal.


