Moscovo sem luz, água e transportes devido a avaria no sistema energético

25.05.2005 - 11:31 Por José Milhazes, (PÚBLICO), Moscovo
Uma série de avarias no Sistema Energético Unificado da Rússia deixou Moscovo sem electricidade e água e paralisou os transportes na maioria dos bairros da capital e em 24 cidades e distritos adjacentes. A envergadura do colapso foi tal que alguns órgãos de informação, nomeadamente o jornal digital Newsru.com, falam em "catástrofe tecnogénica".
O metropolitano de Moscovo, que transporta diariamente cerca de nove milhões de passageiros, foi o meio de transporte mais afectado pela falha de energia eléctrica. Vários comboios ficaram parados nos túneis e mais de 20 mil passageiros tiveram de sair das carruagens através dos túneis escuros até chegarem às estações.
A avaria no sistema eléctrico também afectou o trânsito nas ruas de Moscovo, porque os semáforos deixaram de funcionar e os eléctricos pararam, entupindo o trânsito e provocando filas de trânsito de muitos quilómetros.
Em alguns bairros de Moscovo, os telemóveis deixaram de funcionar e as casas ficaram privadas não só de energia eléctrica mas também de água.
O apagão - de que não há memória na história da capital russa - afectou também, segundo o Departamento de Saúde de Moscovo, "dez grandes centros hospitalares", que tiveram de recorrer a geradores de reserva para manter em funcionamento alguns sectores vitais, nomeadamente unidades de cuidados intensivos.
O Ministério para Situações de Emergência (Segurança Civil) da Rússia anunciou que o apagão não poupou instituições como o Conselho da Federação, o Senado da Rússia e o Comando das Forças Espaciais.
O apagão provocou também prejuízos na Bolsa de Valores de Moscovo, onde começou a queda dos "blue chips" (as acções mais cotadas) como as do Sistema Energético Unificado, das petrolíferas e das companhias de telefones, o que levou à suspensão das operações.
Andrei Trapeznikov, porta-voz do Sistema Energético Unificado, declarou que o apagão ficou a dever-se a "uma avaria em cadeia, provocada por um curto-circuito e incêndio numa estação eléctrica", sublinhando que se tratou de "uma calamidade técnica".
O Ministério para as Situações de Emergência da Rússia diz que já alertou há vários meses para o perigo deste tipo de catástrofes no país, pois muitos dos equipamentos já estão obsoletos e fora do prazo.
A possibilidade de o apagão poder ter sido originado por um acto terrorista não foi posta de lado. A Procuradoria-Geral da Rússia anunciou o início de uma investigação às causas dos "cortes maciços do fornecimento de electricidade em várias zonas de Moscovo".
O apagão teve início às 11h00 de Moscovo (08h00 em Portugal continental) e, não obstante todos os esforços dos serviços técnicos do Sistema Energético Unificado da Rússia, as suas consequências deverão fazer sentir-se em alguns bairros durante todo o dia.

