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Criança de dois anos acabou por morrer

Monção: mãe confessa pontapé no estômago de Sara mas diz que foi "sem querer"

26.09.2007 - 18:18 Por Lusa

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 (PUBLICO.PT)
A mulher acusada de matar a filha de dois anos, em Monção, confessou hoje no Tribunal de Monção que deu um pontapé na barriga da menina no dia em que ela morreu, mas ressalvou que a intenção era atingi-la nas nádegas. A mãe é acusada pela morte da criança e responde pelos crimes de homicídio qualificado e maus-tratos.

No início do julgamento, a mulher, 24 anos disse que ficou "nervosa" porque a filha entornou o leite do biberão e sujou a roupa. Por isso, quis dar-lhe "um pontapé no rabo", mas a menina "virou-se de repente", acabando por ser atingida no abdómen.

A arguida, em prisão preventiva, disse que estava apenas com umas meias calçadas e que atingiu a filha "com pouca força, de raspão, com as pontas dos dedos", jurando que essa agressão foi um caso isolado.

A mulher justificou o seu nervosismo porque não teria mais comida nem gás em casa para dar de comer à criança. "Não tive intenção de lhe fazer mal nenhum. Estou arrependida, sinto a falta dela, choro muita vez por ela", disse.

Já a acusação, deduzida pelo Ministério Público (MP), diz que a menina terá sido agredida a murro e a pontapé pela mãe, por causa de um "facto frívolo".

Arguida nega negligência ou qualquer outra agressão à filha

A arguida garantiu que dispensava à Sara um tratamento igual ao dos outros três filhos, negando qualquer outra agressão ou negligência em termos de higiene, vestuário e alimentação.

Alegou ainda que as nódoas negras, hematomas, mordidelas e outros sinais de alegadas agressões que a Sara apresentava se poderiam ter ficado a dever não só a brincadeiras com os irmãos mas também às quedas que a menina daria com frequência, por causa de um problema de locomoção.

A arguida culpou também o seu companheiro e pai dos seus filhos pelo seu estado de nervosismo, por alegadamente "não dar dinheiro para as despesas da casa".

Sara morreu a 27 de Dezembro de 2006 em Mazedo, Monção. A autópsia ao corpo da menina revelou lesões traumáticas significativas "a diversos níveis" que foram responsáveis pela morte, segundo disse fonte do Instituto de Medicina Legal (IML).

Pai da criança diz que não tem conhecimento de agressões

O tribunal também ouviu hoje o pai da Sara - que garantiu não ter conhecimento de quaisquer agressões - e a educadora e a auxiliar do infantário que a menina frequentava. Estas confirmaram que os pais davam um tratamento discriminatório àquela filha.

Sara estava referenciada desde 2005 pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR) de Viseu, distrito de onde os pais são naturais, mas apenas por negligência familiar, não havendo quaisquer indícios de maus-tratos.

Entretanto, em meados de 2006, os pais foram viver para Monção e a CPCJR "perdeu-lhe o rasto" até 4 de Dezembro, dia em que a educadora do infantário que ela começou a frequentar naquele concelho alertou para o facto de a menina aparecer na escola com hematomas no corpo e sempre "cheia de fome e mal agasalhada".

Após a denúncia da educadora, e segundo o presidente da Câmara de Monção, José Emílio Moreira, a CPCJR local marcou "imediatamente" uma consulta no Centro de Saúde para o dia seguinte, mas a mãe acabaria por não levar a criança, alegando que "era muito em cima da hora".

O autarca acrescentou que foi marcada outra consulta para o dia 19, mas a criança voltaria a faltar, tendo a mãe alegado, dessa vez, que tinha de ir ao Centro de Emprego.

"Perante isto, foi marcada uma consulta, desta feita em moldes coercivos, para o dia 28, mas infelizmente a menina morreu na véspera", disse ainda.

Após a morte da Sara, a Segurança Social retirou aos pais a tutela dos seus outros três filhos, entregando-os a uma família de acolhimento.

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Comentário + votado

A morte da Sara

As crianças portuguesas contínuam a serem maltratadas e todos os dias verificamos, como estes ...

serafim matos pagani

26.09.2007 23:15

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