Moita Flores: Cirurgias em Cuba vão continuar "enquanto houver marosca" em Portugal

30.06.2009 - 16:15
O presidente da Câmara Municipal de Santarém disse hoje à agência Lusa que o acordo para operar munícipes em Cuba vai continuar “enquanto perceber que há marosca”, tanto nas cirurgias como nas consultas externas de oftalmologia.
Francisco Moita Flores, independente eleito pelo PSD, almoçou hoje com o segundo grupo de munícipes operados aos olhos em Cuba, afirmando que continua atento às listas de espera.
“Quando perceber que existe marosca, não só nas listas de espera para cirurgia mas também nas consultas externas — basta fechar a lista das consultas para reduzir o agendamento de cirurgias —, lançarei nova provocação”, disse, sublinhando o impacto que a adesão de Santarém ao programa iniciado por outras autarquias teve no país.
Moita Flores criticou as razões “muitas vezes burocráticas, de poupanças até irrisórias, que levam [o Serviço Nacional de Saúde] a tratar pessoas como se fossem coisas”, frisando que o programa de operações em Cuba resulta da “preocupação com as pessoas mais velhas e mais carenciadas”.
O autarca disse também que o almoço com os munícipes operados visou apenas partilhar com eles a “alegria” de voltarem a ver, o que ficou espelhado no pedido que um homem lhe fez, para autografar o seu último livro, porque voltou a ler, ou de uma mulher que lhe disse ter voltado a ver o neto que não via há dois anos.
Maria Arminda, 66 anos, disse à agência Lusa que está a fazer um presépio de barro para oferecer ao presidente da Câmara Municipal de Santarém, uma forma de agradecer a operação às cataratas em Cuba, que lhe devolveu a visão.
Com 66 anos, há muito que tinha abandonado o passatempo de trabalhar o barro, porque a vista já não permitia, conforme disse.

