Ministro da Justiça quer desbalcanizar sector através do diálogo 
18.11.2009 - 15:37 Por António Arnaldo Mesquita
“Foi uma reunião muito participada e em clima de diálogo e de partilha”. Assim resumiu o ministro da Justiça, após a reunião do Conselho Consultivo da Justiça, que reuniu durante três horas, 22 individualidades dos vários sectores judiciais. «A confiança, o prestígio e a credibilidade da Justiça a todos nos envolve. Todos os que participaram na reunião manifestaram o seu empenho em dar um contributo sólido para que o prestígio da Justiça se reforce», afirmou Alberto Martins.
Dos 22 participantes no primeiro encontro deste órgão de consulta do ministro da Justiça, criado há nove anos e que não era convocado há cinco anos, destaque para a presença do presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha Nascimento, e do Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro. Ambos os conselheiros deixaram os jornalistas sem novidades sobre o caso do momento - as consequências jurídicas das escutas a comunicações entre Vara e Sócrates - recusando-se a prestar declarações. Os participantes que falaram à comunicação social foram unânimes em realçar o clima de degelo.
Alberto Martins não escondia a sua satisfação pelo clima de "diálogo auspicioso” do encontro. Martins anunciou que o Conselho Consultivo poderá reunir-se de dois em dois meses, com quatro temas de fundo: eficácia e cleleridade da justiça; repressão e prevenção criminal; acesso à justiça e confiança no sistema de justiça.
O ministro da Justiça parece querer por cobro à situação de balcanização da justiça, que tem sido bem patenteada pelo clima de crispação, actualmente num pico devido aos efeitos colaterais do processo da Face Oculta e, sobretudo às escutas de conversas entre o banqueiro Armando Vara e o primeiro-ministro, José Sócrates.
Nesta conjuntura, Alberto Martins parece desejar inverter a situação e, depois de no sábado passado, se ter reunido, em Coimbra, com os membros da comissão que vai avaliar as mudanças à Reforma Penal de 2007, abriu a reunião do Conselho Consultivo da Justiça, um órgão que existe há nove anos e estava paralisado há cinco anos.
Parecendo querer passar das palavras aos actos, Martins prepara-se para suspender os prazos judiciais entre os dias 15 a 31 de Julho, para suavizar as reservas que a alteração do regime das férias judiciais consumada pelo anterior Governo e anunciada por José Sócrates no discurso de posse, quando se iniciava uma legislatura com maioria absoluta do partido do Governo.
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