• Restaurantes de topo com menus a 20 euros
  • TENS, a produtora de conteúdos que levou dois portugueses para Barcelona
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce

Aberto primeiro concurso desde 2000

Ministro da Justiça garante que PJ tem "meios necessários" para combate à corrupção

07.07.2006 - 15:35 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Alberto Costa admite fragilidades no combate à corrupção, exemplificando com o número de condenações a uma pena de prisão efectiva Alberto Costa admite fragilidades no combate à corrupção, exemplificando com o número de condenações a uma pena de prisão efectiva (André Kosters/Lusa (arquivo))
O ministro da Justiça, Alberto Costa, garantiu hoje que a Polícia Judiciária (PJ) "tem os meios necessários" para assegurar o combate à corrupção, destacando que foi aberto um concurso para admissão de novos inspectores pela primeira vez desde 2000.

Num debate de urgência promovido pelo PCP na Assembleia da República, o ministro Alberto Costa salientou que foi ontem publicada em Diário da República a abertura de um concurso externo à administração pública para a admissão de 150 candidatos ao curso de formação de inspectores estagiários da Polícia Judiciária.

"Pela primeira vez desde 2000, concedemos uma quota de descongelamento a favor da Polícia Judiciária e abrimos um concurso externo de ingresso de 150 inspectores, metade destinados ao combate da criminalidade económica", sublinhou o ministro da Justiça, considerando que "não faz sentido agitar polémicas" à volta da questão dos meios.

Porém, o membro do Governo admitiu algumas fragilidades no sistema de combate à corrupção, sublinhando que "nos últimos quatro anos, apenas um total de 13 pessoas foram condenadas a uma pena de prisão efectiva pelo crime de corrupção".

O PCP, que suscitou o debate, trouxe à discussão o último relatório do Grupo de Estados Contra a Corrupção do Conselho da Europa, considerando que traça "um diagnóstico arrasador" da situação portuguesa. "O fenómeno da corrupção e da criminalidade económica e financeira enche com alguma frequência as manchetes dos jornais. No entanto, muitos processos que envolvem personalidades com notoriedade pública ou os chamados 'mega-processos' arrastam-se em fim à vista", criticou o deputado comunista António Filipe.

Os comunistas questionaram ainda o ministro sobre alegadas pressões do governador civil de Faro na exoneração da directora regional adjunta de Educação do Algarve e a sua substituição por um militante do Partido Socialista. "Há indícios da prática de ocorrência de algum crime? O Ministério Público e a PJ não deixariam de ser sensíveis a qualquer problema dessa natureza. Se assim não acontece, é porque estamos mais uma vez a debater com base numa matéria jornalística", respondeu Alberto Costa.

CDS-PP contra alteração ao sigilo bancário

O ministro foi ainda confrontado pelo CDS-PP com dúvidas de constitucionalidade sobre a proposta de lei aprovada ontem em Conselho de Ministros, que permite o levantamento do sigilo bancário em caso de reclamações fiscais por parte do contribuinte. "Não é um bom serviço no combate à fraude fiscal. É um tiro de pólvora seca", criticou o deputado democrata-cristão Diogo Feyo, vaticinando que muitos contribuintes vão passar a recorrer directamente à impugnação judicial das decisões do Estado.

Também o Bloco de Esquerda criticou esta medida, questionando se é desta forma que o Governo pretende "apanhar os pequenos Al Capones portugueses". "Não há desde 1984 uma empresa condenada por corrupção activa", notou ainda a deputada bloquista Ana Drago.

Na resposta, Alberto Costa sublinhou que a possibilidade de condenação de pessoas colectivas "tem estado vedada pelo ordenamento jurídico", situação que será alterada com a revisão do Código Penal "por iniciativa do Governo socialista".

Pelo PSD, o vice-presidente da bancada Montalvão Machado acusou o Governo de falta de firmeza e coesão no combate à corrupção. "Nesta área, o Governo não é determinado, não é firme e muito menos é coeso e sólido", criticou o social-democrata, denunciando a existência de divergências entre os ministérios da Justiça e Administração Interna e entre as estruturas dirigentes da PSP e da PJ, numa intervenção que mereceu o repúdio de Alberto Costa.

No final, o PCP garantiu que vai voltar a apresentar na próxima sessão legislativa um projecto que pede a instituição de um programa nacional de prevenção e combate ao branqueamento de capitais e à criminalização da economia. "Na última legislatura, o projecto foi recusado pelo PSD e CDS-PP e todos os outros partidos, incluindo o PS, votaram favoravelmente. Vamos ver se os socialistas mantêm a sua posição", desafiou António Filipe.

Estatísticas

  • 9 leitores
  • 0 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1263379

Comentário + votado

X

Mais em Sociedade (9 de 18 artigos)

António Costa diz que os números do SEF apenas mostram que tem sido mais eficaz na detecção de documentos falsos Administração interna desvaloriza número de documentos falsos apreendidos pelo SEF