Ministro da Administração Interna situa em dezenas de milhares as armas ilegais no país

17.07.2008 - 16:24 Por Lusa, PÚBLICO
O ministro da Administração Interna admitiu hoje desconhecer o número exacto de armas ilegais em Portugal, considerando, no entanto, "especulativo e fantasioso" o número avançado pelo PÚBLICO, com base numa estimativa da PSP, de que existem cerca de 1,4 milhões de armas ilegais no país. Segundo Rui Pereira, as forças de segurança estimam que sejam apenas "dezenas de milhares".
"Desconheço o número ao certo de armas ilegais, justamente por serem ilegais", afirmou Rui Pereira aos jornalistas no final da assinatura de protocolos para combater e prevenir o "carjacking", citando dados das forças de segurança para referir que "o número de armas ilegais cifra-se nas dezenas de milhares".
O PÚBLICO avança na edição de hoje que, com base numa estimativa da PSP, deverão existir em Portugal cerca de 1,4 milhões de armas de fogo em situação ilegal e que a maior parte será armas de caça indevidamente licenciadas.
Rui Pereira considerou o número "especulativo e fantasioso", indicando que 6496 armas foram entregues no âmbito da campanha de entrega voluntária de armas, que decorreu durante um ano após a entrada em vigor da nova Lei das Armas.
Ainda segundo o ministro, este ano foram já apreendidas 4000 armas ilegais, "mais do que no mesmo período do ano passado", no qual a PSP e a GNR interceptaram 8000.
Campanha de entrega voluntária de armas "não faz sentido"
O secretário de Estado da Administração Interna, Rui Sá Gomes, admitiu hoje, durante o Fórum da TSF, a possibilidade de ser lançada uma nova campanha de entrega voluntária de armas, uma hipótese que disse já ter colocado ao ministro da Administração Interna, mas cujas “vantagens e desvantagens” terão ainda que ser analisadas. “Brevemente tomaremos uma posição sobre esse facto”, afirmou o secretário de Estado.
Rui Pereira acabou por afirmar pouco depois que actualmente "não faz sentido" uma nova campanha de entrega de armas, sublinhando que esta medida "como manobra sazonal deixa de ser eficaz" e deve realizar-se "esporadicamente", nomeadamente quando entra em vigor um novo regime jurídico.
Destacando a nova Lei das Armas, que entrou em vigor em 2006, o governante realçou o agravamento das penas, a possibilidade de operações especiais criminais e a licença de uso e porte de armas estar dependente de cursos periódicos. "Para o Ministério da Administração Interna e para as forças de segurança, qualquer arma ilegal é uma arma a mais", reforçou.

