Ministra quer consultas multidisciplinares nos centros de saúde para combater diabetes

13.01.2010 - 18:29 Por Lusa
A ministra da Saúde, Ana Jorge, afirmou hoje que o combate à diabetes, que afecta mais de 900 mil portugueses, passa pela “organização de uma consulta multidisciplinar” nos centros de saúde e pelas equipas de cuidados na comunidade.
O Observatório Nacional da Diabetes divulgou hoje o Relatório Anual, segundo o qual um terço da população portuguesa sofre de diabetes ou está em risco de vir a sofrer de uma doença cujos gastos com medicamentos ascenderam a 109 milhões de euros em 2008.
Segundo os dados, foram ainda gastos 37 milhões de euros em testes de glicemia (para ver o açúcar no sangue) e 389 milhões de euros em internamentos, além dos medicamentos.
A despesa da diabetes em Portugal em 2008 representou um custo directo entre 900 e 1100 mil milhões de euros, o equivalente a sete por cento da despesa em saúde e 0,7 por cento do Produto Interno Produto (PIB) português.
À margem da apresentação do relatório, Ana Jorge afirmou que os “gastos com medicamentos são elevados”, mas adiantou que “estarão dentro da média europeia”, assim como o investimento feito pelo Estado para a diabetes.
“Nós precisamos de aprofundar ainda mais estes dados”, sublinhou a ministra, acrescentando que estes relatórios dão orientações para o trabalho que é necessário fazer para combater esta doença, que afecta 11,7 por cento da população entre os 20 e os 79 anos, sendo que 400 000 não sabem que têm diabetes.
Tal como os responsáveis do Observatório Nacional da Diabetes, Luís Gardete Correia, e do Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes, José Manuel Boavida, Ana Jorge defendeu a necessidade de uma consulta dedicada a estes doentes nos centros de saúde.
“A diabetes é uma das doenças crónicas mais frequentes”, observou a ministra, adiantando que, para um maior acompanhamento, deve ser organizada, nos centros de saúde, uma “consulta multidisciplinar”, com médicos de família, terapeutas, psicólogos, nutricionistas, dietistas e enfermeiros.
A identificação precoce do doente, em função de alguns factores de risco, também deverá ser feita através da avaliação regular da glicemia recomendada pelos médicos de família.
Por outro lado, as equipas de cuidados na comunidade - formadas por enfermeiros, terapeutas, médicos, dietistas e psicólogos e que estão a ser criadas nos Agrupamentos de Centros de Saúde - podem ser “as responsáveis pelo controlo e acompanhamento dos diabéticos na sua área de influência”, uma vez que têm nas suas responsabilidades muitas patologias crónicas, nomeadamente a diabetes, explicou.
“Estas equipas, que ainda são em pequeno número [15], são uma grande oportunidade para podermos responder a algumas destas questões”, acrescentou.
Em declarações à agência Lusa, o coordenador do Observatório da Diabetes afirmou que para mudar o panorama desta doença é preciso “prevenir a diabetes, com a instituição de estilos de vida saudáveis, e diagnosticar precocemente as pessoas que têm diabetes”.
Luís Gardete Correia defendeu ainda a necessidade de “uma capacidade de resposta” em termos de consultas nos centros de saúde nas várias especialidades da diabetes, como oftalmologia e pedologia, que é “importantíssima” para evitar as amputações.
Os dados indicam que o número de amputações é muito elevado, atingindo cerca de 1600 casos em 2008, dos quais 56,25 por cento são amputações acima do joelho.
Ao nível dos internamentos por complicações da diabetes, o Observatório destaca o aumento do número de pessoas internadas com problemas oftalmológicos, que triplicou entre 2000 e 2008.

