Ministra lamenta caso de grávida que passou por dois hospitais antes de lhe ser diagnosticada gripe A

20.08.2009 - 15:28
A ministra da Saúde lamentou hoje o caso de uma grávida de quase sete meses a quem foi detectada gripe A apenas após três idas a diferentes hospitais. O Rádio Clube Português (RCP) revelou hoje que a mulher, que tinha regressado de Angola na semana passada, passou por dois hospitais públicos e só à terceira vez, num hospital privado, é que a doença lhe foi diagnosticada. A criança nasceu prematuramente e está agora sob vigilância médica no Hospital Dona Estefânia.
"São situações que nós gostaríamos que não acontecessem mas eventualmente essa situação terá de ser analisada em função daquilo que são os sinais clínicos de validação e interpretação dessas situações", afirmou Ana Jorge em conferência de imprensa no Ministério da Saúde.
Segundo a ministra, a doente tinha um quadro sintomático que não foi identificado como sintoma gripal o que fez com que passasse por dois hospitais e que não fosse feito o diagnóstico. "Só quando houve agravamento dos sintomas é que foi mais compatível com a existência de um quadro gripal e foi validado como sendo gripe A", explicou a ministra, adiantando que a doente "tem uma situação grave".
Ana Jorge adiantou que neste momento existem em Portugal "nove situações graves [de gripe A] internadas, a grande maioria ainda nos cuidados intensivos com necessidade de ventilação assistida". O objectivo do Ministério da Saúde é que os hospitais estejam cada vez mais disponíveis para estas situações daí a orientação progressiva, a partir de agora, de abrir mais locais de atendimento à gripe fora dos hospitais.
A ministra da Saúde acrescentou ainda que, neste momento, os hospitais ainda não estão muito sobrecarregados com casos de gripe A, cuja média diária é de 100 a 150 novos diagnósticos.
"Não é por essa razão [sobrecarga] que neste momento as situações não podem ser identificadas. Todos os hospitais e profissionais de saúde têm conhecimentos e capacidade de fazer um diagnóstico clínico de uma síndrome gripal", frisou.
Segundo o RCP, aos primeiros sinais de gripe a mulher deslocou-se ao Hospital São Francisco Xavier. Dirigiu-se depois ao Hospital Amadora-Sintra, onde lhe foi prescrito o medicamento Ben-u-ron. Mais tarde, já com uma pneumonia e a necessitar de ventilação, chegou ao Hospital da Luz, uma instituição privada, onde foi finalmente diagnosticada com gripe A e só então foi encaminhada para o Hospital Curry Cabral, uma das unidades de referência, avança ainda o Rádio Clube.
O director da Unidade de Cuidados Intensivos do Curry Cabral, Luís Mourão, revelou à mesma rádio que a mulher continua internada com prognóstico reservado.
“O Hospital da Luz contactou directamente comigo na noite do dia 17 e combinei com o director clínico do hospital, o professor José Roquete, que no dia 18 de manhã nós avaliaríamos a nossa capacidade para receber essa doente nos cuidados intensivos (...)”, facto que acabou por acontecer.
Ainda não houve até ao momento nenhuma explicação oficial por parte do Hospital São Francisco Xavier nem do Hospital Amadora-Sintra para este sucedido, mas Luís Mourão indicou ao Rádio Clube que “as medidas terapêuticas que foram feitas à doente no Hospital da Luz foram as mais correctas”, considerando o clínico que a doença não poderia ter sido evitada mesmo com um “início de terapêutica eventualmente mais precoce”.
Actualizada às 21h20

