A ministra da Saúde, Ana Jorge, elogiou hoje, no Porto, o trabalho que tem sido feito pelo Centro de Histocompatibilidade do Norte (CHN), que tem registados mais dadores de medula do que os que existem em Espanha.
"O CHN é motivo de orgulho para os portugueses, com um trabalho que é reconhecido internacionalmente", afirmou a ministra, na intervenção que proferiu na cerimónia comemorativa do 25º aniversário daquela instituição.
Relativamente aos transplantes de medula, Ana Jorge salientou que o Centro tem "mais de 70 mil dadores já submetidos a colheita", frisando que este número é superior ao total de dadores existentes em toda a Espanha.
Na breve intervenção que proferiu, a ministra revelou os dados mais recentes relativamente aos transplantes realizados em Portugal no ano passado.
"Em 2008 foram realizados 860 transplantes, dos quais 553 renais, que é um valor jamais conseguido", afirmou Ana Jorge, acrescentando que foram ainda realizadas 53 colheitas de órgãos em dadores vivos.
Relativamente às recolhas de órgãos em cadáveres a titular da pasta da saúde revelou que, no ano passado, Portugal atingiu um valor de 26,3 por milhão de habitantes.
"Portugal tem vindo a fazer um esforço na área dos transplantes. Temos números que nos honram quando comparados com indicadores internacionais", frisou a ministra da Saúde.
Apesar deste esforço, Helena Alves, directora do Centro de Histocompatibilidade do Norte, salientou que a lista de espera para transplantes tem vindo a crescer nos últimos anos, sustentando que as curvas dos gráficos são "assustadoramente crescentes".
Nesse sentido, referiu a existência de uma "enorme divergência entre o crescimento da lista de espera e o número de transplantes realizado".
Segundo Helena Alves, o número de candidatos a transplante renal "cresceu mais de 50 por cento em cinco anos".
Apresentado projecto de expansão do CHN
A cerimónia hoje realizada nas instalações da Ordem dos Médicos incluiu ainda uma homenagem a Armando Mendes, que foi o primeiro director do CHN.
O ex-bastonário da Ordem dos Médicos, Machado Caetano, recordou o trabalho de um dos pioneiros em Portugal na área da histocompatibilidade, com quem desenvolveu o projecto que culminou na criação dos três centros nacionais actualmente existentes no Norte, Centro e Sul do país.
No final foi apresentado o projecto de expansão do Centro de Histocompatibilidade do Norte, que funciona num edifício situado dentro do perímetro do Hospital S. João.
O novo edifício terá uma área de 3.500 metros quadrados, surgindo como uma continuação das actuais instalações, que ocupam apenas 1.700 metros quadrados.
Segundo Helena Alves, o concurso para a construção desta obra deverá ser lançado este ano, mas não adiantou quando deverá estar concluída e qual o valor do investimento.


