Ministra da saúde diz que a criança que morreu foi "correctamente medicada"

29.10.2009 - 19:20 Por Lusa
A criança de 10 anos que morreu pela conjugação de uma alteração cardíaca com o vírus da gripe A (H1N1) foi “correctamente medicada” para permanecer em casa, disse hoje a ministra da Saúde, Ana Jorge.
A conjugação dos dois factores levou à morte da criança, segundo o resultado da autópsia hoje divulgado, e representa uma situação excepcional, frisou a ministra, garantindo que 99 por cento das situações são benignas.
“É uma alteração congénita do coração. As duas situações em conjunto foram a razão da morte súbita”, explicou a ministra, acrescentando que o resultado da autópsia é conclusivo, mas serão feitas mais análises de pormenor.
“A gripe A, na grande maioria, é benigna. Em alguns casos não é”, disse Ana Jorge, sublinhando que não será alterado o plano em vigor em virtude desta situação.
“Estamos a cumprir aquilo que é tecnicamente adequado para esta situação. Não vamos fazer alterações”, afirmou.
A ministra voltou a fazer um apelo para que sejam seguidas as recomendações das autoridades de saúde, “que por vezes não são” - disse -, no sentido de os pais estarem atentos, sem alarmismos, aos sintomas dos filhos e não os levarem à escola se não estiverem bem.
Ana Jorge falava aos jornalistas, em conferência de imprensa, após uma reunião com a família do menino que morreu, a quem apresentou condolências e pediu que sensibilizassem outros pais para a importância de estarem atentos aos filhos e seguirem as recomendações da Direcção-Geral de Saúde.
A ministra reafirmou não haver razão para as escolas fecharem numa fase inicial da pandemia, nem para alarme, embora a gripe seja para “levar a sério”.
A vacina que esta semana começou a ser ministrada vai progressivamente ser alargada a mais grupos, indicou.
“Vamos evitar os casos graves, vamos possivelmente evitar situações como esta”, disse.
Ana Jorge sublinhou a importância da vacina e disse que ela própria será vacinada na próxima semana.
“Temos os melhores serviços de saúde, temos um plano nacional de vacinação que os Estado Unidos não têm”, defendeu a ministra quando questionada pelos jornalistas sobre os procedimentos relacionados com a gripe.
“Esta criança não tinha uma cardiopatia. Tem uma alteração do músculo cardíaco que não dá sintomatologia até uma situação como esta”, especificou a ministra.
O director de Pediatria Clínica do Hospital de Dona Estefânia, Gonçalo Cordeiro, reafirmou que o caso foi “uma situação clínica excepcional” e que o seguimento médico que teve foi correcto.
“Esta circunstância foi uma circunstância excepcional, dificilmente se repetirá”, garantiu.
De acordo com o mesmo responsável, em 500 crianças diagnosticadas com gripe A naquele serviço, apenas cinco por cento foram internadas.
O diagnóstico da criança que morreu foi correcto, afiançou, referindo que o vírus acabou por revelar “uma situação de base”.
As crianças com problemas cardíacos entram na primeira fase de vacinação e as restantes serão vacinadas posteriormente, disse a ministra.

